A Ancine pode colocar Hollywood contra o Brasil?

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Na última quarta, o mercado de cinema no Brasil sofreu um chacoalhão. De acordo com um termo de compromisso divulgado pela Ancine e assinado pelas maiores redes de cinema e por grandes distribuidoras, a partir de 1 de janeiro de 2015 os filmes lançados no país devem respeitar um limite de salas em exibição. O número varia segundo o tamanho de cada complexo, mas, de modo geral, um lançamento só poderá ocupar no máximo 35% das salas de um cinema. Pra ficar mais claro, aqui em Bauru, onde cada cinema tem 5 ou 6 salas, um filme só pode estar em cartaz em, no máximo, duas salas de cada empresa. Ou seja, ao menos no interior chegou ao fim a época em que um cinema tinha “O Senhor dos Anéis” ou “Os Vingadores” em todas as salas.

Na teoria, a medida vai trazer uma diversidade maior de títulos para as telas e abrir espaço para lançamentos menores, que ficam de fora do circuito porque “Crepúsculo” monopoliza os multiplexes. Porém, na prática, conhecendo a habilidade do mercado para encontrar brechas, o resultado pode ser apenas um redimensionamento do monopólio. Assim, em vez de um único filme levando tudo, o bolo passaria a ser dividido em mais dois pedaços. No exemplo de Bauru, um cinema de 6 salas teria 2 salas para “Batman”, 2 para “Capitão América” e 2 para “Star Trek”. E o tal filme independente vai continuar fora do circuito.

E aí eu pergunto: esse novo cenário vai, de alguma forma, diminuir o prestígio do Brasil em Hollywood?

Há pelo menos uma década, o umbigo de indústria cinematográfica deixou de ser apenas os EUA. Desde então, para alcançar recordes de bilheteria, um filme precisa conquistar o mercado americano e também fazer bonito pelo mundo a fora. Para muitas franquias que vão de mal a pior no próprio quintal, é o mercado internacional que garante que as contas não fechem no vermelho. Por isso, o Brasil e outros mercados emergentes ganharam uma importância estratégica.

É só observar como nos últimos dez anos aumentaram os eventos de première e a presença dos grandes astros por aqui. Tom Cruise, por exemplo, veio mais pra cá nos últimos 5 anos do que nos 15 anteriores. Alguns filmes chegam a estrear aqui antes de serem lançados nos EUA e Hollywood cobra cada vez o combate à pirataria.

Portanto, não é conspiratório pensar que a limitação proposta pela Ancine pode fazer Hollywood rever a posição estratégica do Brasil. Por que investir em um país que limita o alcance dos blockbusters? É uma hipótese a se acompanhar de perto.

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