A nova novela das oito está nos EUA

Para quem gosta de novela no Brasil, a vida não anda muito fácil desde o fim de Avenida Brasil, em 2012. De lá para cá, “Salve Jorge”, “Amor à Vida”, “Em Família” e “Império”, em maior ou menor grau, até conseguiram segurar o público na frente da TV, mas bem longe da empolgação histérica com a vingança da Nina. Para muita gente, como eu, a saída foi ocupar o tempo com seriados americanos. E não é que os americanos estão fazendo série com jeitão de novela muito melhores que a gente?

Não chega a ser uma surpresa, afinal série e novela vêm da mesma tradição de histórias seriadas do folhetim tradicional. Porém, os gringos sempre amenizaram as características melodramáticas do gênero. Nos últimos tempos, no entanto, parece que eles perderam a vergonha e abraçaram com força as regras mais rocambolescas do gênero. E nem uso como exemplo séries como “Ugly Betty” e “Jane The Virgin”, que são adaptações de telenovelas latinas e, por motivos óbvios, terão um percentual de semelhanças muito mais significativo. Só que o maior sucesso atual da TV americana, “Empire”, é um novelão sem tirar nem por!

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É só ler a sinopse. É a história de Lucius Lyon, um rapper que se tornou o dono de uma gigante da indústria fonográfica e que, ao descobrir que está com uma doença incurável, desafia os três filhos a disputarem a cadeira de presidente do império musical. Só que essa família é completamente disfuncional: o pai renega o filho mais velho por ele não ter talento para a música. Já o filho do meio, apesar de talentoso, é rejeitado por ser homossexual. Somente o filho mais novo, um rapper jovem e imaturo, é o preferido do pai. Junte a isso o fato de que a mãe dos meninos, Cookie, está presa há 17 anos por um crime que o marido cometeu e que ela assumiu para não prejudicar a carreira dele. E que, às vésperas de a empresa comercializar ações na Bolsa de Nova York, Cookie sai da cadeia e cobra sua parte no império, ameaçando destruir a gravadora com a informação de que ela foi fundada com dinheiro do tráfico de drogas. E não pense dei spoiler: tudo isso acontece apenas no primeiro episódio! É mais agitação do que “Em Família” inteira!

Pra mim, essa “mexicanização” dos seriados tem duas explicações. Primeiro, que em um mercado tão competitivo como o de televisão nos EUA, apelar para o melodrama é uma estratégia que rende ganchos de tirar o fôlego ao final dos episódios e que seguram a audiência curiosa até a semana seguinte. Ou seja, garante uma audiência constante e a longevidade da série por várias temporadas. E, em segundo lugar, demonstra a importância que o público latino conquistou na disputa por audiência e faturamento. Assim, incorporar características do dramalhão mexicano é uma forma de trazer os imigrantes para os canais americanos e roubá-los das emissoras voltados à comunidade latina, que retransmitem telenovelas latinas por lá.

Se as estratégias vão funcionar a longo prazo, sem empobrecer o formato, só saberemos com o tempo. Mas a minha audiência eles já conseguiram.

P.S.: “Empire” ainda não tem data de estreia no Brasil, mas procure ver! Ainda que a sinopse se assemelhe a dezenas de novelas que já vimos, a história é cheia de reviravoltas e sua condução torna impossível não se envolver. Para quem ainda gosta de hip hop, tem um motivo a mais: a série conta com músicas inéditas criadas especialmente para embalar a vida musical dos personagens, tudo sob a batuta do produtor Timbaland (o CD desbancou, inclusive, o novo álbum da Madonna na Billboard). E ainda tem vários músicos circulando em participações especiais, além de personagens construídos com características que os associam a figuras célebres da música americana.

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