As trilham que embalam Baz Luhrmann – parte 2

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Se a trilha de “Romeu + Julieta” colocou o nome de Baz Luhrmann no cenário fonográfico americano, a de “Moulin Rouge” mostra como a música pop pode estar na raiz de um filme. Em um momento no qual o musical era visto como um gênero morto em Hollywood, o diretor decidiu que era hora de atualizar o formato para os dias atuais e para a geração que cresceu assistindo aos clipes da MTV. Para isso, Luhrmann traçou uma estratégia infalível: fez releituras de canções que as pessoas já conheciam e criou novas músicas juntando versos de várias composições. Uma fórmula que originou uma das trilhas mais marcantes dos anos 2000.

De original mesmo, há apenas uma música: “Come What May”, que é cantada pelos atores Nicole Kidman e Ewan McGregor. Todo o restante são covers ou mashups (junção das letras ou melodias de duas músicas ou mais). Dentre as releituras, tem Nirvana (“Smell Like Teen Spirit”), Nat King Cole (“Nature Boy”), Madonna (“Like a Virgin”) e Queen (“The Show Must Go On”). O cover mais famoso, sem dúvida, é o de “Lady Marmalade”, que fez a música do grupo Labelle voltar com tudo para as rádios quase 30 anos após ter sido número um na Billboard. Nas vozes de Christina Aguilera, Mya, Pink e Lil’ Kim, a canção esteve novamente no topo das paradas de vários países, ganhou um Grammy e o clipe recebeu dois prêmios no MTV Video Awards.

Já dentre os mashups, nenhum consegue bater o “Elephant Love Medley”. Na música de pouco mais de 4 minutos são misturados trechos de 12 canções dos mais diferentes artistas. De Beatles, Phil Collins e U2 a Elton John, Kiss e Whitney Houston. Além da dinâmica que dá ao filme, o mashup é responsável por um dos momentos mais divertidos, que leva o espectador a tentar adivinhar qual verso é de qual música.

Além de cativar o espectador, a música pop no filme também é usada parasurpreender. Com as mudanças de arranjo e principalmente com as misturas musicais, cada coreografia é uma surpresa para o público, que nunca sabe o que esperar. O melhor exemplo é “El Tango de Roxanne”. Após uma introdução de tango clássico emprestada da música “Tanguera”, entram os vocais de “Roxanne”, do The Police. O resultado é uma música tão criativa quanto improvável.

Unindo o que existe de melhor na música pop, é claro que a recepção também seria a melhor possível. O álbum da trilha sonora de “Moulin Rouge” estreou em quinto lugar na parada americana e foi subindo até ficar em terceiro. Em outros países, como a Austrália, virou hit absoluto e emplacou em primeiro. Resultado que compensou os dois anos de negociações para conseguir autorização de uso de todas as músicas.

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Depois de optar por uma trilha instrumental clássica e épica em “Austrália” (pra mim, um tiro no pé que justifica boa parte do fracasso do filme com o público, uma vez que a marca pop do diretor não estava presente), Luhrmann volta à boa forma agora com “O Grande Gatsby”. É só pegar a lista das faixas para perceber como ele entregou este trabalho para figurões da música atual. Segundo o diretor, foram dois anos de trabalho nos quais ele tentou identificar quais cantores hoje teriam o mesmo peso e representatividade que os ícones do jazz tinham na década de 1920, na qual se passa a história. Produzida em conjunto com o rapper americano Jay-Z, a trilha aposta em novos nomes de prestígio (como Florence + The Machine, Sia e Gotye) e artistas de popularidade mais que comprovada (como Beyoncé, Fergie, will.i.am e Jack White). Além de canções próprias, novamente a seleção inclui releituras, como a versão para “Back to Black”, da Amy Winehouse, e de “Crazy In Love”, da Beyoncé.

Assim como em “Romeu + Julieta”, mais uma vez Luhrmann investe em uma trilha que sintetiza a indústria musical na época do lançamento do filme. É um álbum que, se ouvido daqui a 10 anos, mostrará ao ouvinte a mistura de pop com influência retrô, música eletrônica e R&B que atualmente domina as rádios. A decisão de sonorizar os anos 1920 com música contemporânea já rendeu inclusive ótimos resultados nas paradas. A trilha sonora estreou em segundo lugar entre os CDs mais vendidos nos Estados Unidos na primeira semana de venda, um resultado melhor que os de “Moulin Rouge” e “Romeu + Julieta” atingiram em todo o tempo em que ficaram na listagem da Billboard. Um sucesso que só mostra que o Midas australiano voltou com tudo!

(Publicado originalmente em 14/06/2013, no site Salada de Cinema)

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As trilhas que embalam Baz Luhrmann – parte 1

Pela estética extravagante, farsesca e exagerada, só de bater os olhos em um filme dá pra dizer que ele é do diretor Baz Luhrmann. Do mesmo jeito, dá pra reconhecer suas obras só por um passar de ouvidos. Além de assumir a música pop como uma marca de identidade, o diretor ainda é conhecido por usar músicas atuais para sonorizar histórias que se passam em períodos históricos distantes. Daí surge um bordel na França de 1900 que toca Nirvana e uma Nova York de 1920 embalada pelo rap de Jay-Z. Fator importante ainda na atração do público jovem, as trilhas sonoras recheadas de canções conhecidas e populares são um traço presente desde a estreia do diretor australiano nas telas.

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E não havia melhor jeito de usar música no cinema do que com um musical. Em “Vem Dançar Comigo”, de 1992, Luhrmann mescla composições instrumentais e clássicos do pop para contar a história do bailarino que precisa ganhar um concurso de dança de salão. Com um pé no teatro de revista e outro no conto de fadas, as canções ganham um novo significado: viram ao mesmo tempo um hino de salão e um hit de rádio. É o caso, por exemplo, de “Perhaps Perhaps Perhaps”, bolero em versão de 1964 cantada para atriz Doris Day. Já para embalar o envolvimento entre o dançarino galã e a aprendiz atrapalhada, é o cover de “Time After Time”, de Cindy Lauper, que entra na parada. Uma tática para aproveitar a carga emocional da música para muitas pessoas e usá-la a favor da identificação com o filme.

Uma artimanha que o diretor também usou ao escalar “Love Is In The Air” como música-tema de “Vem Dançar Comigo”. A canção de John Paul Young lançada em 1978 ganhou uma versão remixada, que mantém diversos elementos sonoros da versão original e acrescenta atualidade e efervescência. Ainda possui a aura cafona que tomou conta da música ao longo do tempo, mas a transformou naquele guilty pleasure que ninguém assume que gosta, mas todo mundo ouve e dança. Por causa do filme, “Love Is In The Air” voltou à parada de sucesso australiana e chegou a ser a quarta mais tocada no país em 1992. Uma prova de que as trilhas de Baz não ficam restritas apenas aos filmes e mexem também com a indústria fonográfica.

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Um poder de fogo que os Estados Unidos conheceram com ainda mais força na estreia de Luhrmann em Hollywood. Em “Romeu + Julieta”, a história clássica de William Shakespeare foi atualizada para os dias atuais tanto na concepção visual e narrativa quanto na auditiva. Para falar do amor proibido entre dois adolescentes, além de colocar atores jovens e bonitos em cena, era preciso também incluir o que o público-alvo ouvia naquele momento. Por isso, a trilha transborda bandas que faziam sucesso entre os jovens em 1996 e, com isso, o rock radiofônico não ficou de fora. Estão lá, por exemplo, Everclear, Radiohead e Garbage, que estourou nas paradas americanas naquele ano. “Crush #1”, a música da banda na trilha, ficou no topo da parada de rock por quatro semanas, virou tema de abertura de série de TV e ainda recebeu uma indicação de Melhor Música no MTV Movie Awards.

No entanto, quem realmente virou a cara da MTV naquele ano foi o grupo The Cardigans. “Lovefool” foi lançada dois meses antes da estreia de “Romeu + Julieta” e foi um sucesso imediato. Com isso, o filme se beneficiou e muito do barulho gerado nas paradas de sucesso, uma vez que o clipe com as imagens dos atores Leonardo DiCaprio e Claire Danes passava sem parar na MTV.

Se por um lado “Romeu + Julieta” foi ajudado pelo The Cardigans, o filme também criou seus ícones com a cantora Des’ree. A música “Kissing You”, que toca quando os apaixonados se veem no baile pela primeira vez, é o grande tema romântico do filme e é apontada pelos críticos como o ponto alto da produção. Escrita especialmente para a trilha, a canção é executada quase na íntegra no filme e conta até com a participação especial da própria cantora. Para espremer o hit até a última gota, “Kissing You” também ganhou um videoclipe com imagens do filme e foi incluída no terceiro álbum de Des’ree, “Supernatural”.

Além de catapultar os artistas para o sucesso, o álbum de “Romeu + Julieta” foi ainda o primeiro grande sucesso das trilhas sonoras de Baz Luhrmann. A coletânea alcançou o posto de segunda trilha mais vendida no período de acordo com os levantamentos da Billboard. Um resultado que supera inclusive as vendas da trilha de “Moulin Rouge”, filme no qual a música pop adquiriu o papel mais importante na carreira do diretor australiano.

(Publicado originalmente em 13/06/2013, no site Salada de Cinema)

‘Perdido em música’ com uma freira e Cindy Lauper

Singing nun Sister Cristina Scuccia on Italy’s The Voice

Quando lançou “De A-ha a U2 – os bastidores das entrevistas do mundo da música” em 2006, o jornalista e apresentador Zeca Camargo dedicou o livro ao sentimento sublime e prazeroso de estar “perdido em boa música”. Ele não falava de composições sisudas ou compositores consagrados pelos intelectuais, mas sim de música pop e dos artistas que tornam a experiência musical popular, massiva e empolgante, de melodias simples e que grudam no ouvido. Em resumo, as Madonnas, as Alanis e os George Michaels que tocam todo dia no rádio e que criam pequenas obras-primas louvadas pelo mercado e aprovadas por multidões.

Muita gente torce o nariz pra esse pensamento. Afinal, como colocar “Like A Virgin” no mesmo patamar que um Chico Buarque? Dizer que a estrutura “parte 1-refrão-parte 2-refrão” é similar à experimentação de um Pink Floyd? Cada um tem um gosto, mas eu compartilho da opinião do Zeca. Até porque criar algo simples, direto e acessível é muito mais difícil do que cair na fórmula (esta sim fácil) de soar pretensioso e rebuscado. Eu vivo esse dilema todos os dias como jornalista.

E por que eu estou dizendo tudo isso? Porque hoje eu tive mais uma prova do poder hipnotizante da boa música pop. E justo com um clássico dos anos 80, a tal década perdida. Com “Girls Just Wanna Have Fun”, da Cindy Lauper, eu vi uma freira chacoalhar a edição italiana do reality show The Voice e criar os dois minutos mais alegres e emocionantes do meu dia. Quando percebi, pimba: eu estava com os olhos cheios de lágrimas e “perdido em boa música” no meio da redação. E essa viagem valeu cada segundo.

Rock in Rio 2013: Jessie J faz bom show, mas perde a chance de ser apoteótica

Jessie J foi a segunda atração do Palco Mundo na terceira noite do Rock in Rio 2013 e trouxe um show animado e com grande presença de palco, dois fatores que ajudaram bastante a animar o público da Cidade do Rock. Apesar da desconfiança de que não daria conta de um público tão grande quanto o do palco principal, a inglesinha trouxe um repertório quase que totalmente calcado em seu primeiro e único álbum de estúdio até agora, “Who You Are”, e se mostrou a vontade e confiante na tarefa.

Foto: Flavio Moraes/G1

Foto: Flavio Moraes/G1

Mesmo com a escolha arriscada de abrir a apresentação com “Price Tag”, seu maior sucesso até hoje, Jessie construiu um setlist bastante sólido, pelo menos até a metade do show. Junto com seu enorme carisma e conversando o tempo todo com a plateia, a cantora conseguiu na primeira meia hora satisfazer os fãs e ainda angariar os seguidores de Justin Timberlake, que com certeza são maioria nesta noite do Rock in Rio.

Pena que a receita foi suficiente para segurar a atenção durante o show inteiro. Da metade para o fim, ao investir em músicas com uma pegada mais eletrônica, o show esfriou. Depois de incendiar a Cidade do Rock com “Laserlight”, Jessie tropeçou no repertório com duas músicas menos conhecidas e empolgantes. Quando “Domino” apareceu pra encerrar o show, ela desceu do palco para ficar mais perto da público e cantou a música com a ajuda dos fãs. Apesar de ser louvável a aproximação com a plateia, a cantora desperdiçou a chance de encerrar o show de forma apoteótica. Segundo maior sucesso de sua carreira, “Domino” tem um refrão forte e poderia ter sido a cereja do bolo se executada em cima do palco, à vista de todos, com Jessie regendo a festa.

Uma prova de que até a interação com a plateia precisa ser realizada na hora certa.

Atualizado em 16/09, às 14h20: Os vídeos das apresentações.

Price Tag

Nobody’s Perfect

Laserlight

Domino

55 anos da Madonna e o dia em que ela estrangulou a backing vocal

No dia 16 de agosto, a cantora Madonna comemorou 55 anos de vida! Tá bonitona, tá esbanjando saúde, tá rica até não poder mais! Mas, nesse dia de festa, eu tenho uma denúncia a fazer que vai cortar o clima: a rainha do pop pode ser a responsável pelo sumiço de uma backing vocal.

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Alguém errou o passo na coreografia?

Sim, leitores! Todo mundo sabe o quanto Madonna é obcecada com a perfeição. Isso fica claro no tempo que ela leva ensaiando cada turnê e na forma como centraliza e cuida de cada detalhe de um show. E foi justamente por atrapalhar essa perfeição que Niki Harris pagou com a própria vida. Sua última aparição foi na coreografia de “Holiday” durante a turnê “Drowned Tour” da rainha do pop. Ela é essa aqui, ó!

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Niki Harris: 1961 – 2001

A sorte de Niki é que o vídeo da turnê é a prova cabal de que Madonna foi a responsável por seu desaparecimento. Vamos aos fatos!

No começo de “Holiday”, tanto Madonna quanto as duas backing vocals entram no palco com lenços vermelhos pendurados na calça. Parte do figurino, você diria? Não só isso! Foi este acessório que motivou a nossa investigação.

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Oba, é feriado!

Pois bem, continuando! A música começa, elas executam os primeiros passos e é então que acontece a tragédia: com 1 minutos e 8 segundos de apresentação, o lenço de Niki cai da calça e ela não percebe.

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Sambando sem lenço e sem documento!

A coreografia continua, todo mundo é só sorrisos e empolgação, mas eis que aos 2 minutos e 29 segundos chega o momento de dançar com o lenço na mão. É quando Niki percebe que seu acessório sumiu! Desespero! Fica nítido no rosto da backing vocal a cara de “fudeu!”.

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Amiga, me ajuda! Eu perdi o lenço!

O que Niki faz então? Num milésimo de segundo, vem a ideia brilhante: ela dança do mesmo jeito, mas sem o lenço na mão. E assim Niki balança a mão vazia, joga o lenço imaginário para cima, pega-o novamente e continua como se nada tivesse acontecido. Afinal, o show tem que continuar!

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Ufa, ela nem percebeu!

Madonna está tão empolgada e concentrada que nem percebe que companheira de palco está de mãos abanando.

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Isso aí, meninas! Estamos arrasando em Detroit!

E assim a coreografia segue até o fim. Mas Niki é esperta. Se Madonna não tinha percebido ainda, não ia ser no grand finale que ela ia notar, né?! A backing, num momento de inteligência, sutileza e rapidez, dá uma última passada pelo palco antes de a música terminar, pega o lenço no chão e termina a coreografia do lado de Madonna com o acessório na mão.

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Ainda bem que eu sou esperta!

O que Niki não contava é que Madonna veria a gravação do show e perceberia que foi ludibriada pela backing vocal. Aquele número musical ensaiado por tantos meses a fio, com tanto suor, que deveria ser um momento apoteótico do show, agora estava registrado para a eternidade como o número em que Niki dançou com um lenço imaginário. Depois disso, a backing vocal nunca mais vista.

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Matei mesmo!

Por isso, Madonna, o nosso veredicto é: culpada! Mas mesmo assim a gente te ama! Parabéns pelos 55 anos!

Um sonho adolescente pode virar um pesadelo?

Depois de colecionar cinco singles número 1 na parada da Billboard, o mundo ainda parece pequeno para Katy Perry. Sua gravadora anunciou ontem o lançamento do sexto single extraído do álbum “Teenage Dream”, lançado no ano passado. A música da vez é “The One That Got Away”, uma baladinha que tenta abaixar um pouco a poeira depois de tantas músicas animadas e feitas para dançar. Mas o que deveria ser recebido com festa, afinal é legal quando um artista tenta explorar ao máximo um trabalho, teve uma recepção bem morna e pessimista.

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Não vou entrar no mérito dos mecanismos da indústria cultural que levaram Katy Perry a emplacar cinco sucessos no topo da Billboard e se igualar a Michael Jackson na história da música. Até porque meu amigo Samir já fez isso de forma sensacional no Don’t Skip e acho difícil superar essa marca. O que importa saber sobre esse fato é que a busca desenfreada por um recorde trouxe mais críticas que elogios à carreira da Katy. Eu mesmo sou um dos que viu a notícia com desdém. 

O “Teenage Dream” não é um álbum que me irrita. Pelo contrário, acho um bom álbum pop. Das 12 músicas, só acho duas bem chatinhas (e uma delas é “Peacock”, que me cansou já no lançamento por causa do buzz que gerou na internet). O trabalho trouxe a melhor música da carreira da Katy (“Teenage Dream”) e também seu melhor clipe (“Last Friday Night”). Mas não é por ser um bom álbum que precisam trabalhar todas as músicas dele. A cantora tinha que fazer como a Rihanna: reconhecer que esse trabalho não dá mais e partir pro próximo. Além disso, a imagem da Katy Perry está cansada. A tentativa de chamara a atenção no último VMA foi bizarro; ela fazer parte de “Smurfs”, idem.  Cheguei num estado de estafa tão grande que estou quase vendendo meu ingresso para o show dela em Sampa. Pro bem da carreira dela, espero que, em breve, ela entre em um período sabático e fique no mínimo ano sem dar as caras.

Mas, já que a gravadora quer espremer mesmo até a última gota, a escolha de “The One That Got Away” como single até que não foi das piores. Os fãs pediram muito por “Peacock”, mas acredito que como single a música seria um fracasso, pois o principal nicho da música (os gays) já não aguentam mais ouvir a música. “Not Like The Movies”, outra que também foi cogitada, também seria uma péssima escolha, porque, por mais que ela queira trabalhar uma baladinha, a música é muito down pra tocar nas rádios e geraria um fracassão (e um fracasso agora ia manchar – e muito – a conquista dos cinco números 1 na Billboard). Eu, pessoalmente, gostaria que “Hummingbird Heartbeat” fosse a eleita, pois a música ela tem uma boa energia e uma pegada pop rock muito parecida com o álbum anterior da Katy (o “One Of The Boys”), apesar de começar com um dos piores versos da música pop de todos os tempos (“You make me feel like I’m losing my virginity”).

Se existe um momento para se prestar atenção na carreira da Katy Perry, este momento é agora. Com todo o alvoroço em cima do lançamento desse single, é a hora em que se definirá o rumo da sua carreira daqui pra frente. Vamos acompanhar…

Se a vida fosse um musical com a Beyoncé

Você já teve aqueles dias em que gostaria de estar em um musical, cantando e dançando na rua pra demonstrar sua alegria? Pois é, essa é a explicação mais lógica que eu imagino para um flash mob. Pra que não sabe o que é, um flash mob é uma reunião entre pessoas em um lugar público para fazer uma determinada ação, normalmente inusitada, como dançar ou interpretar uma cena de um filme. Do mesmo jeito que um flash mob começa de repente, ele também termina.

Pois bem. Eis que esse pessoal aqui do vídeo abaixo resolveu fazer um flash mob da música “End Of Time” da Beyoncé, que está no seu novo álbum recém-lançado, o “4”. Vejam o que eles aprontaram no meio de um supermercado.

Fala que não dá vontade de dançar junto com esse povo? (Depois de um ensaio, logicamente, pra não passar vergonha e ser aquele que sempre se destaca por estar fora do ritmo…). Em se tratando de flash mobs da Beyoncé, só não é mais sensacional que o de “Single Ladies” em Londres.

Sem querer ficar vangloriando os gringos e falando mal de tudo que é brasileiro (pois não sou desses): por que no Brasil toda vez que alguém tenta fazer um flash mob assim, vira vergonha alheia? Tipo o de “Mamma Mia” no Shopping Vila Olímpia, em São Paulo? E nem é uma opinião minha, é só prestar atenção na cara de constrangimento dos clientes do shopping…

Update: O vídeo foi dirigido pelo Ryan Jamees Yezak, que é famoso na internet por dirigir clipes gays para músicas pops. Os mais famosos são os de California Gays e Peacock.

Teorizando um show de rock

Há quase um mês atrás fui ao show do The Killers e voltei pensando sobre a mitologia de um show de rock.

Se pensarmos racionalmente, um show é uma grande idiotice: um monte de gente em pé há mais de 4h horas esperando o show começar, tomando chuva, se espremendo pra ficar mais perto do palco, pra ver cinco pessoas como a gente tocando uma música que você tá cansado de ouvir em casa, muitas vezes com o som numa qualidade bem inferior e sem o conforto do seu sofá ou da sua cama. Mas apesar disso tudo, foi a experiência mais incrível da minha vida.

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A euforia, a coletividade, os elementos surpresas (chuva de papel, labaredas e cascatas de fogo), a companhia, a música alta, os refrões que se estendem à eternidade, os solos de bateria, os cumprimentos em português, os pulos, o joelho doendo, a mãozinha pra cima… Tudo isso faz parte do show bunisess, certo? Mas tem algo que simplesmente não dá pra explicar, que só quem estava lá aquele dia foi capaz de sentir. E eu fui uma testemunha do dia 21 de novembro.

The Killers, thank you!