A carreira errante de Chris Pine

O par de olhos azuis veio do pai, o ator Robert Pine. Mas somente eles ainda não foram suficientes para fazer Chris Pine decolar em Hollywood. Apesar dos suspiros que seu olhar e seu sorriso geram por onde passa, o ator ainda não conseguiu emplacar uma carreira consistente ao longo dos 10 anos em que batalha na capital do cinema. E se nem o papel principal de “Star Trek” conseguiu dar uma mão, fica difícil saber o que mais pode ajudar.

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Apesar da árvore genealógica de atores (além do pai, a avó paterna também era atriz), os primeiros papéis de Chris Pine foram muito parecidos com o de outros tantos aspirantes a astro: em seriados de TV. O ator fez pontas em produções como “E.R.” e “CSI: Miami” em uma tentativa de conseguir visibilidade e convites para outros projetos. De certa, a estratégia deu certo! Em 2004, ele foi o galã do filme “O Diário da Princesa 2”, uma produção que rendeu quase 100 milhões de dólares no mundo inteiro.

Se parecia que a partir daí as portas do sucesso haviam se aberto para Pine, logo veio o balde de água de fria. Seu próximo filme, o drama independente“Confession”, foi um fracasso tão grande que foi lançado direto nas locadoras. Entre novas aparições em seriados, Chris intercalou uma série de filmes pequenos. Além de “Maldita Sorte”, em que contracena com Lindsay Lohan, vieram “Encontro às Escuras”“A Última Cartada” e “O Julgamento de Paris”, filmes que mal pagaram seu orçamento e tiveram uma repercussão pífia.

Com um histórico destes, é surpreendente que o diretor J.J. Abrams tenha confiado a Pine o papel principal da refilmagem de “Star Trek”, em 2009. Segundo o ator já contou em entrevistas, seu primeiro teste para o papel foi sofrível, pois ele não se levava a sério como chefe da tripulação da Enterprise. Somente após um segundo teste junto com o ator Zachary Quinto é que Chris conseguiu o papel, muito devido ao seu carisma no vídeo e à boa química com o companheiro de cena. Pesou também para a escolha a opinião de Quinto, pois ambos eram amigos (frequentavam a mesma academia) e essa proximidade poderia ser aproveitada a favor da amizade que une o Capitão Kirk a Spock.

Que “Star Trek” que foi um sucesso, não precisa nem dizer. Afinal, o filme ressuscitou a franquia “Jornada nas Estrelas”, que estava bem mal das pernas desde o fim da década de 1990. Tanto que ganhou a sequência que estreia agora. Mas será que o Capitão Kirk também exerceu um papel positivo na carreira de Pine? Olhando os filmes que ele fez depois que voltou do espaço, parece que mais uma vez o ator está deixando a oportunidade escapar por entre os dedos.

Dos seis filmes lançados após “Star Trek”, os dois mais comerciais são a comédia “Guerra é Guerra” e aventura “Incontrolável”. Dois filmes que não acrescentam nada à carreira artística de Pine e nem mesmo servem como um novo direcionamento para sua carreira, agora como ator de ação. Já os filmes independentes, como “Small Town Saturday Night” e “Bem-vindo à Vida”, também não lhe impuseram um desafio de interpretação ou lhe tornaram um ator sensível e dramático.

Com “Além da Escuridão – Star Trek”, Hollywood dá uma segunda chance para o ator aproveitar positivamente a visibilidade. Com o tom mais dramático da sequência e também mais explosivo, é uma possibilidade para ele mostrar que também pode emocionar ou então ser o novo brucutu de Hollywood. É esperar pra ver se o novo capítulo da franquia vai levar Chris Pine onde ele jamais esteve: perto do reconhecimento.

(Publicado originalmente em 20/06/2013, no site Salada de Cinema)

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Uma nova esperança para Zoe Saldana

Depois de tentar a sorte em Hollywood por anos, você consegue o papel da mocinha no filme de um grande diretor. A produção, que desde o anúncio era divulgada como revolucionária, estoura no mundo inteiro. Só de bilheteria são quase 3 milhões de dólares e o filme entra para a história como a maior arrecadação de todos os tempos! Uma visibilidade enorme, não? Só tem um problema: você não aparece no filme. Ou melhor: você aparece, mas não como você mesma e nem com seu rosto. É este o drama da atriz Zoe Saldana, a mocinha por trás da alienígena Neytiri em “Avatar”. Corpo, voz e emoções por trás do personagem, Zoe teve sua atuação registrada por captura de movimentos e, graças à animação gráfica, virou a criatura. Façanha que a transformou, ao mesmo tempo, na atriz mais e menos conhecida do mundo.

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“Avatar”, no entanto, não foi o primeiro grande filme da atriz. Lançado sete meses antes do filme recordista, “Star Trek” foi a primeira grande oportunidade de Zoe. Apesar da aparição pequena e em um papel secundário, o filme garantiu uma visibilidade interessante para a atriz americana. Considerando que em “Avatar” seu rosto não aparece em uma cena sequer, dá pra afirmar que foi como a “namorada” de Spock que ela entrou no radar de muitas pessoas.

De lá pra cá, no entanto, nem tudo são flores. Assim como Chris Pine, seu companheiro de “Star Trek”, Zoe se envolveu em projetos pequenos que tiveram pouco retorno e cuja visibilidade artística é limitada. Em “Morte no Funeral”, por exemplo, seu personagem é tão secundário que por vezes nem é citado nas sinopses. Situação semelhante à de “Ladrões”, no qual o nome da atriz sequer consta no cartaz. E se em “Em busca de vingança” Zoe é a protagonista, o massacre de críticas negativas ao filme abafou completamente seu papel principal.

De volta aos holofotes agora com “Além da Escuridão – Star Trek”, aparentemente os próximos trabalhos de Zoe têm tudo para gerar repercussão. Para o bem ou para o mal. Em “Nina”, que deve ser lançado ainda neste ano, ela dá vida à cantora ícone do jazz Nina Simone. Apesar da polêmica de que seria branca demais para interpretar a artista negra, este pode ser o grande papel dramático de sua carreira e atrair prêmios e reconhecimento. É só olhar o que a cinebiografia de Edith Piaf trouxe para Marion Cottillard e a de Ray Charles trouxe para Jamie Foxx. Se não der certo, pelo menos ela já tem uma posição de coadjuvante reservada na adaptação de “Guardiões da Galáxia”, filme da Marvel que deve ter importância central em “Os Vingadores 2”.

É torcer para que a beleza da atriz não seja uma maldição em sua carreira. E também para que ela se decida se assina Zoe Saldana, Zoë Saldana, Zoe Saldaña ou Zoë Saldaña. Afinal, não dá pra se tornar uma estrela se o seu nome muda a cada trabalho.

(Publicado originalmente em 21/06/2013, no site Salada de Cinema)