Serão os críticos todos recalcados?

Desde a década de 80, com mais gente tendo acesso aos produtos culturais, o papel do crítico entrou em crise e ele deixou de ser uma referência para o público. No meio deste desprestígio, a imprensa parece que lavou as mãos e não tem feito nenhum esforço para ajudar o setor a se reerguer. Pelo contrário. No desespero por visualizações e compartilhamentos, os portais de internet adotaram a postura do “twittem falando mal, mas twittem de mim”. O exemplo da Folha, chamando a Beyoncé de chacrete, é apenas um. Hoje, outro me chamou a atenção.

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Com a desculpa de selecionar os shows que não valiam a pena no Rock in Rio, a Veja disparou acusações para todos os lados. Assim, nasceram pérolas como “ninguém merece a gritaria de Florence Welch”, “os rebolados de Jon Bon Jovi deveriam ter ficado nos anos 1980” e que Maria Rita e Selah Sue são “duas cantoras enjoadas e sem sal juntas”. Ainda segundo a lista, a apresentação do DJ David Guetta só valeria a pena para você que “não gosta de música” e o show da britânica Jessie J era “um verdadeiro show de horrores de tanta falta de talento”.

Tudo bem, a liberdade de expressão é um direito previsto na Constituição. No entanto, o que se espera de um veículo jornalístico é que no mínimo a crítica seja feita com argumentos menos infantis, que contextualizem os méritos ou defeitos de uma atração cultural ao invés de valorizar picuinhas como a suposta personalidade enjoada da cantora. Já que uma das funções da crítica é ajudar o leitor a enriquecer seu repertório, ela deveria focar no que realmente importa (neste caso a música) e não nos rebolados de um cantor. Até porque , contextualizando, Elvis Presley também rebolava, criou uma produção cultural importante até hoje e ninguém o desqualificaria por causa dos movimentos pélvicos.

O mais irônico no texto da Veja é que ele foi publicado em uma seção cujo slogan é “Informação, curiosidade e diversão que enriquece a notícia”. Só que, neste caso, não enriqueceu em nada. Sua única contribuição foi reforçar a ideia de que os críticos são todos uns recalcados, frustrados e mal humorados.

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Rock in Rio 2013: Justin Timberlake quebra jejum de 12 anos com melhor show do primeiro fim de semana

A meia hora de atraso não foi suficiente para desanimar os fãs que esperaram 12 anos para a segunda vinda de Justin Timberlake ao Brasil. O jejum, que durava desde 2001, quando ele se apresentou no Rock in Rio ainda como membro do NSYNC, foi recompensado com uma apresentação enérgica e recheada de hits do começo ao fim.

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Foto: Flavio Moraes/G1

No palco, ficou claro porque Justin é apontado como o novo rei do pop. Apesar de pouco mais de uma década de carreira solo, o show trouxe um repertório sólido e muito bem amarrado, que equilibrou na medida certa músicas para dançar e baladas. Foram 19 canções em 1h40 de música, que contemplaram os três CDs do cantor e covers de “I Need You Tonight”, do INXS, e “Shake Your Body”, do Michael Jackson. Uma sucessão de hits que não deixou de fora “Like I Love You”, “My Love”, “Cry Me A River”, “Señorita”, “Futuresex/Lovesound”, “Lovestoned”, “Rock Your Body” e “What Goes Around… Comes Around”. Foi praticamente uma versão estendida da apresentação dele no Video Music Awards, no final de agosto, e só ficaram de fora as músicas do NSYNC. Até “Sexyback”, “Suit & Tie” e “Mirrors”, ausentes no setlist divulgado à imprensa antes do show, apareceram para a alegria dos fãs e finalizaram o show com uma sequência de tirar o fôlego .

Apesar de extremamente carismático e dono de uma presença de palco hipnotizante, Justin conversou pouco com o público no Rock in Rio, limitando-se a algumas declarações de amor ao Rio de Janeiro e a pedidos para levantar as mãos e bater palmas. Mesmo assim, o público seguiu cada ordem do showman, além de gritar a cada vez que JT ameaçava passos de dança.

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Foto: Flavio Moraes/G1

Trazendo um casamento perfeito entre as canções dos três álbuns, o show mostrou que as músicas de “The 20/20 Experience”, seu CD mais recente, funcionam muito bem ao vivo, até por surgirem em versões resumidas, longe dos quase 10 minutos de duração que cada uma tem originalmente. Ainda que o frontman seja a principal estrela do show, merecem destaque também a banda e os bailarinos, que deram um show à altura do poder de fogo do repertório de Timberlake.

Pena que a transmissão do Multishow surja como um ponto negativo. O canal a cabo parecia não conhecer o show que tinha em mãos e exibiu uma sucessão de cortes frenéticos, em que cada imagem não ficava mais que 5 segundos na tela. A edição prejudicou principalmente as coreografias, pois as imagens privilegiavam gerais do palco a distância, imagens aéreas e closes da plateia.

Ainda assim, o espetáculo conduzido por Justin Timberlake só deixa uma conclusão: foi um show memorável, cuja empolgação da plateia durante o encerramento com”Sexyback” tem tudo pra entrar para a galeria de imagens inesquecíveis do Rock in Rio.

Atualizado às 12h54: Já estão pipocam no YouTube os vídeos da apresentação do Justin no Rock in Rio. Delicie-se!

 

Sexyback

 

Suit & Tie + Mirrors

 

Pusher Love Girl

Summer Love + Senorita

What Goes Around… Comes Around

Rock in Rio 2013: Jessie J faz bom show, mas perde a chance de ser apoteótica

Jessie J foi a segunda atração do Palco Mundo na terceira noite do Rock in Rio 2013 e trouxe um show animado e com grande presença de palco, dois fatores que ajudaram bastante a animar o público da Cidade do Rock. Apesar da desconfiança de que não daria conta de um público tão grande quanto o do palco principal, a inglesinha trouxe um repertório quase que totalmente calcado em seu primeiro e único álbum de estúdio até agora, “Who You Are”, e se mostrou a vontade e confiante na tarefa.

Foto: Flavio Moraes/G1

Foto: Flavio Moraes/G1

Mesmo com a escolha arriscada de abrir a apresentação com “Price Tag”, seu maior sucesso até hoje, Jessie construiu um setlist bastante sólido, pelo menos até a metade do show. Junto com seu enorme carisma e conversando o tempo todo com a plateia, a cantora conseguiu na primeira meia hora satisfazer os fãs e ainda angariar os seguidores de Justin Timberlake, que com certeza são maioria nesta noite do Rock in Rio.

Pena que a receita foi suficiente para segurar a atenção durante o show inteiro. Da metade para o fim, ao investir em músicas com uma pegada mais eletrônica, o show esfriou. Depois de incendiar a Cidade do Rock com “Laserlight”, Jessie tropeçou no repertório com duas músicas menos conhecidas e empolgantes. Quando “Domino” apareceu pra encerrar o show, ela desceu do palco para ficar mais perto da público e cantou a música com a ajuda dos fãs. Apesar de ser louvável a aproximação com a plateia, a cantora desperdiçou a chance de encerrar o show de forma apoteótica. Segundo maior sucesso de sua carreira, “Domino” tem um refrão forte e poderia ter sido a cereja do bolo se executada em cima do palco, à vista de todos, com Jessie regendo a festa.

Uma prova de que até a interação com a plateia precisa ser realizada na hora certa.

Atualizado em 16/09, às 14h20: Os vídeos das apresentações.

Price Tag

Nobody’s Perfect

Laserlight

Domino