‘Mudança de Hábito’ alegra a terça

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Já deu pra perceber a minha predileção por cenas musicais, não? Principalmente as de filmes dos anos 90. Tomando a década como referência, não tem como não falar de uma das comédias de maior sucesso daquela época, o filme “Mudança de Hábito”. Tão bem sucedido, aliás, que ganhou uma continuação e ainda gerou um musical na Broadway.

Protagonizado pela atriz Whoopi Goldberg, o filme conta a história de uma cantora de cassino que, após testemunhar um crime, é colocada no sistema de proteção à testemunha pela polícia. Para não ser descoberta pelos bandidos, Dolores é escondida em um convento. Para ocupar o tempo da cantora, a Madre Superiora coloca Dolores na regência do coral da igreja. É aí que surge seu maior desafio: ensaiar um conjunto de freiras desafinadas e sem sintonia alguma.

A cena mais memorável do filme é esta abaixo, que marca a primeira apresentação pública do coral. O que começa como um coro gospel tradicional aos poucos se transforma em uma apresentação musical menos religiosa, na qual Dolores utiliza técnicas musicais de uma apresentação em um cassino para atrair a atenção. Uma evolução que desagrada os líderes religiosos presentes, mas que cai no gosto da maioria dos frequentadores comuns.

Além do talento de Whoopi Goldberg, merece destaque o tratamento pop que é dado à música gospel na cena e no filme como um todo. Não à toa, a trilha sonora de “Mudança de Hábito” ficou mais de um ano entre os 200 álbuns mais vendidos nos Estados Unidos na época de lançamento (1992).

(Publicado originalmente em 02/11/2013, no site Salada de Cinema)

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Primeiro ‘Jogos Mortais’ acerta na surpresa, mas peca na coerência

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De tempos em tempos, um filme de terror altera a forma de assustar e causar medo. Na década de 70, foi “Halloween”. Nos anos 80, “Sexta-Feira 13” e “A Hora do Pesadelo”. Na última década do milênio, Wes Craven mudou as regras do jogo com “Pânico” e a virada para os anos 2000 foi sacudida por “A Bruxa de Blair”. Ainda que a fórmula do terror-documentário continue firme e forte até hoje (taí o fenômeno “Atividade Paranormal”), desde 2004 “Jogos Mortais” mudou os rumos da indústria e deu destaque a um outro tipo de horror extremamente violento e sádico. No entanto, é curioso ver que, apesar de tanta influência, o primeiro filme do serial killer Jigsaw tem problemas narrativos que o colocam bem abaixo dos outros filmes marcantes do gênero. Apenas pela sequência inicial dá pra se ter uma prova disso.

Nela, conhecemos Adam e Dr. Gordon, dois homens que acordam acorrentados em lados opostos de um banheiro imundo. Enquanto se recuperam do susto, ambos tentam entender como foram parar neste lugar. Porém, mesmo com a confusão mental a que estão submetidos, os dois iniciam uma tagarelice interminável! Usando a pior tática de um roteiro ruim, ao invés de transmitirem ações e sentimentos pela atuação, os atores narram todas as suas ações e verbalizam todos os seus sentimentos. Assim, anunciam que vão abrir uma porta enquanto tentam abri-la e revelam que não entenderam uma mensagem enquanto fazem cara de paisagem. Uma falação que, ao invés de cativar o público, torna a dupla irritante justamente por não deixar os espectadores entenderem o filme sozinhos.

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Outro exagero é a capacidade dedutiva do Dr. Gordon, que tem adivinhações geniais mesmo com o pouquíssimo conhecimento da situação em que estão metidos! É de fazer inveja a qualquer Sherlock Holmes ou Mãe Dinah! Ao ver um relógio na parede, por exemplo, ele logo conclui que o assassino quer que eles saibam que horas são, algo que se confirma quando eles ouvem as fitas no gravador. Quando ambos falham ao serrar as correntes, o médico deduz que o vilão quer que eles cortem os próprios pés, uma afirmação que, além de absurda, ainda entrega de bandeja ao público o clímax angustiante e surpreendente do fim do filme.

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Analisando o legado de “Jogos Mortais”, que já chegou ao sétimo filme, me pergunto: como um longa com esses defeitos pode ser tão influente? Pra mim, sobram apenas duas explicações. Primeiro, que os filmes saciam a sede de sangue do público. Embora o primeiro filme seja mais um suspense policial que um conto de terror, as continuações foram construídas para explorar exclusivamente o aspecto mirabolante das mortes e seu potencial gráfico, com direito a torturas cada vez mais fortes e explícitas. E segundo, que os roteiros empregam com maestria a técnica do “elemento surpresa”. Colocadas estrategicamente no fim do filme, as maiores revelações ocorrem nos últimos minutos e encerraram a projeção em clima apoteótico. Deste jeito, por mais defeitos que o filme tenha apresentado, a última lembrança de um espectador de “Jogos Mortais” é que ele foi surpreendido de uma forma que não esperava, ainda que ao longo do filme o público tenha sido subjulgado e menosprezado.

Ou seja, quando se trata de Jigsaw, a última impressão é a que fica.

(Publicado originalmente em 28/10/2013, no site Salada de Cinema)

‘2001’ e a maior abertura do cinema. Sem falas, mas cheia de significados

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Desde que “Gravidade” foi exibido pela primeira vez no Festival de Veneza, em agosto do ano passado, o filme saiu de lá como um dos favoritos aos Oscars de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Atriz (para Sandra Bullock). Uma promessa que, com exceção do prêmio a Alfonso Cuarón, infelizmente não se concretizou. No entanto, a derrota não abafa as análises de que o filme seria o “2001 – Uma odisseia no espaço” desta geração.

Vendo o trailer de “Gravidade” fica fácil entender a comparação. Seja pela tensão das cenas ou pelas imagens de tirar o fôlego, a obra-prima de Stanley Kubrick até hoje é apontada como uma das melhores ficções científicas espaciais já feitas pela sétima arte. Sua abertura ajuda a desvendar esse fascínio.

Primeiro de tudo, uma definição: para mim, a sequência inicial de “2001” dura 24 minutos! Ela termina, mais precisamente, quando surge o primeiro diálogo. Sim, durante quase meia hora não há uma fala sequer! Mas isso não quer dizer que a experiência seja maçante. Muito pelo contrário! A gente fica hipnotizado pelas imagens e pelos significados que cada espectador cria para preencher essa lacuna vocal.

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Focado na odisseia que levou o homem à exploração espacial, “2001” busca o desejo de conquistar o desconhecido desde a origem da humanidade. Por isso, é na pré-história que se passa o prólogo “A aurora do homem”. Acompanhamos uma tribo de humanos primitivos em busca de comida e de seu próprio território, um enredo simples que Kubrick transforma em imagens incríveis! Usando atores vestidos de macaco e os efeitos visuais que existiam em 1968, ele cria animais selvagens e verossímeis como raras vezes se viu no cinema. Uma composição cheia de sutilezas na qual o medo, a agressividade e a interação entre esses seres rústicos gera uma teia de significados.

Quando brigam pelo poço d’água, por exemplo, é uma boa analogia para o nosso desejo de dominar territórios, seja no deserto ou na galáxia. A descoberta das armas, ainda que em forma de osso, é a fagulha que possibilitou séculos e séculos de evolução, de desenvolvimento e de conquistas, sejam terrenas ou especiais. Por isso, é justamente do osso que surge o satélite, ícone máximo da corrida armamentista entre os EUA e a União Soviética. Uma transição, aliás, que cria a maior passagem de tempo do cinema, em que milhões de anos se sucedem em apenas um segundo.

A partir do satélite, começa a odisseia galáctica. Se a gravidade zero dá leveza a naves e ônibus espaciais, a valsa “Danúbio Azul” transforma a órbita em volta da Terra em um grande balé. Um espetáculo anacrônico que coloca lado a lado a modernidade futurista e a tradição da música clássica. Embora gravada com o uso de maquetes, miniaturas e truques visuais bastante analógicos, bem diferente dos efeitos especiais computadorizados de hoje, são imagens que ainda impressionam pela grandiosidade. Se a intenção de Kubrick ao criar “2001” era fazer uma obra basicamente visual, é aqui que o cineasta utiliza toda a potencialidade imagética e sonora do cinema para criar uma narrativa em que não existe certo ou errado, em que cada espectador pode interpretar à sua maneira. É a sétima arte em seu estado mais puro!

Se a “odisseia” do título buscou inspiração na clássica obra do grego Homero, no balé espacial essa referência fica mais nítida. Ao mesmo tempo em que o espaço seduz, sua imensidão é tão cheia de mistérios quanto o mar que os gregos navegavam na Antiguidade ou os oceanos que encantaram os europeus nas Grandes Navegações do século XV. Ou seja, muda-se apenas o local, mas a ambição humana de se aventurar no desconhecido se repete em um ciclo sem fim.

A cada vez que vejo esses 24 minutos iniciais, novas ideias surgem na minha cabeça. E vão continuar surgindo. Esse é o grande atrativo de um cinema que coloca a inteligência e a imaginação do espectador como parte da história. Não há uma única versão do roteiro e, melhor ainda, ele muda e evolui ao longo do tempo, se transforma como o osso que vira satélite. Daqui a dez anos, com certeza eu vou rever a abertura de “2001” e pensar em outros significados. E eu espero que você também passe por isso.

Aliás, eu espero ainda mais: que as ficções científicas de 2013, como “Oblivion”, “Elysium” e agora “Gravidade”, também nos ajudem a entender o nosso lugar no universo por muitos e muito anos.

(Publicado originalmente em 14/10/2013, no site Salada de Cinema)

Melodrama e influência da TV marcam a abertura de ‘Olga’

No ano passado, chegou aos cinema “O Tempo e o Vento”, adaptação da clássica obra literária de Érico Veríssimo. A saga sobre a criação do Rio Grande do Sul chega às telonas pelas mãos de Jayme Monjardim, famoso diretor de novelas como “Pantanal”, de 1990, e “O Clone”, de 2001. Ainda não consegui ver o filme, mas, pelas críticas que pipocam na imprensa, parece que ida de Monjardim para a tela grande ainda não foi tão bem sucedida. Isso porque ele ainda leva para a sétimas arte muitos vícios que incorporou nos 30 anos trabalhando na TV. E nem precisa assistir ao novo filme para saber disso. É só dar olha mais atenta à sequência inicial de “Olga”, sua estreia no cinema em 2004.

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O filme conta a história da militante comunista alemã Olga Benário, que nos anos 1930 foi enviada ao Brasil  para proteger o revolucionário Luís Carlos Prestes e, junto com ele, liderar um golpe comunista em plena ditadura Vargas. Os dois se apaixonam e ela engravida, só que o governo brasileiro prende a militante e a deporta para a Alemanha. De origem judia, Olga dá a luz na prisão e depois é enviada para um campo de concentração, onde é morta pelos nazistas.

Somente por esse resumo do roteiro fica nítido seu caráter heroico. Pra conseguir passar por tudo isso, só sendo uma heroína clássica! Então a abertura de “Olga” não poupa esforços para desde o começo construir a protagonista como uma mocinha melodramática com tendência a mártir. Somente nos primeiros 10 minutos, ela não tem medo de pular uma fogueira quando criança, renega a riqueza da família, invade um tribunal para libertar o namorado que está em julgamento, deixa claro que coloca a revolução acima da felicidade pessoal, enfrenta a polícia em uma manifestação… Ou seja, pouco a pouco se desenha uma mulher inabalável, ousada, lutadora, idealista, determinada, tudo de acordo com a cartilha folhetinesca.

Na construção da narrativa, também surgem vários recursos usados à exaustão nas novelas. Quando a protagonista está pensativa, uma narração em off conta seus pensamentos para a gente. Embora a história se passe na Alemanha, todas as pessoas falam português como se fosse sua língua nativa. Não há sequer um sotaque alemão que dê mais de verossimilhança à ambientação. Além disso, os atores sempre aparecem em close nos diálogos e quase todas as cenas da sequência inicial possuem uma trilha sonora para dar o tom da cena.

São elementos que em geral passam despercebidos para muitos espectadores, até por causa do nosso costume com a estética televisiva. Narrativamente, eles não mudam em nada a história, mas acabam criando um produto que fica aquém do potencial cinematográfico. Com uma tela grande como a do cinema, as imagens poderiam deixar de focar apenas nos rostos para valorizar enquadramentos mais abertos, mostrar a riqueza dos cenários e usar movimentos de câmera para criar sensações. Uma vez que na sala escura o espectador tem toda sua atenção voltada para o filme, também não há necessidade de se pontuar cada cena com uma trilha sonora que diz se ela é romântica ou tensa. Essa é uma tática de redundância usada na TV pra capturar nossa atenção dentre as mil coisas que fazemos ao mesmo tempo enquanto o aparelho fica ligado.

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Com seus 30 anos de experiência em audiovisual, com certeza Jayme Monjardim sabe desses detalhes melhor do que eu. Ou deveria saber. Fica a pergunta: ele leva essas características para o cinema por hábito ou de propósito, justamente para agradar o público das novelas? Se um dia eu entrevistá-lo, com certeza é um questionamento que eu vou adorar fazer.

(Publicado originalmente em 30/09/2013, no site Salada de Cinema)

Como ‘Garganta profunda’ ampliou a sexualidade feminina

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Sexo hoje ainda é tabu? A resposta parece bastante óbvia: claro que sim. Prova disso é que o grau de exposição e insinuação sexual é um dos elementos considerados na classificação indicativa de filmes e programas de TV. Para se ter ideia, uma relação sexual mais intensa ou um orgasmo mais realista já são suficientes para que um produto receba o selo de “recomendado para maiores de 16 anos”. Se hoje o assunto ainda é delicado, imagine em 1972, quando um filme pornô ganhou os jornais e ficou dois anos na lista das maiores bilheterias! O dono da façanha? “Garganta profunda”, cujos 10 minutos iniciais trazem uma mistura de sexo sem pudores, crítica social e provocação de sobra!

Com uma hora de duração, o longa foi o primeiro pornô a desenvolver uma história entre uma transa e outra. Escrito com base no “talento” da atriz Linda Lovelace, que praticava sexo oral de um jeito que os produtores nunca tinham visto antes, o roteiro acompanha uma jovem infeliz (também chamada Linda) que nunca teve um orgasmo. Após uma consulta médica, ela descobre por que: seu clitóris não está na vagina, e sim no fim da garganta. A única solução para o problema é investir no sexo oral. Ela aprende então a abocanhar o membro do parceiro em sua totalidade, fazendo-o chegar bem fundo, para assim estimular o ponto G e obter prazer. Entenderam o sentido da “garganta profunda”?

Apesar de Linda não mostrar seus dotes na abertura do filme (o sexo oral tão famoso só surge na metade do longa), os primeiros 10 minutos trazem pelo menos duas grandes características que, junto com a garganta profunda, ajudaram a sacudir as plateias. A primeira é que, desde o começo da projeção, o sexo é tratado com muita naturalidade. Ao flagrar a amiga recebendo sexo oral sobre a mesa da cozinha, por exemplo, a reação da protagonista é a de presenciar uma cena corriqueira, como lavar a louça. Um posicionamento que tira o sexo da esfera de culpa e condenação e o apresenta em um ambiente de normalidade, mesmo que em sua forma explícita.

Apesar da péssima atuação dos atores, que ou são inexpressivos ou pendem para a caricatura, houve a preocupação de que os diálogos fossem ensaiados várias vezes antes de serem filmados e chegassem o mais perto possível da naturalidade. Até a escolha de Linda Lovelace como protagonista vai além de seus “dotes orais”, pois ela tem a aparência de uma mulher comum, com quem poderia se trombar em qualquer esquina. Ou seja, logo de começo o filme já dava dois tapas na cara do público: um por ter transformado o sexo em uma área proibida da vida humana e outro pela hipocrisia e puritanismo com que tratava o assunto, uma vez que todos o condenavam o sexo, mas o praticavam mesmo assim.

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Outro fator presente na abertura que também a torna emblemática é a defesa do direito das mulheres buscarem e exercitarem o próprio prazer. Ao contar que nunca teve um orgasmo na vida, Linda ouve da amiga que deve continuar tentando com vários homens. Em vez de incitar a promiscuidade, é um diálogo sobre a importância de se conhecer o próprio corpo. Afinal, quantas mulheres nos anos 70 (e por que não hoje também?) se identificam com a confissão de que a relação sexual produz apenas um “formigamento” e de que um orgasmo deve ser mais que isso? É uma cena que conversa diretamente com milhares de espectadoras que desconhecem o prazer por egoísmo do parceiro ou por vergonha de assumirem essa necessidade.

Ex-cabeleireiro, o diretor do filme diz ter se inspirado nas histórias que ouvia no salão e que comprovavam que muitas mulheres eram infelizes em sua vida íntima. Se até hoje o machismo da sociedade parece negar a realização sexual da mulher, imagine então em 1972? Colocar o assunto em pauta foi uma etapa importantíssima para alterar a visão sobre o prazer feminino, que, embora não seja tão visível quanto uma ereção ou uma ejaculação, é sim tão potente quanto o do homem.

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Claro que, com tanta ousadia, “Garganta profunda” foi proibido em 23 estados americanos e recebeu vários processos judiciais. No entanto, isso não o impediu de ser um dos epicentros da Revolução Sexual e de se tornar mais que um filme sobre sexo oral: é um verdadeiro ataque à vergonha e à hipocrisia.

P.S.: É difícil encontrar na internet trechos de “Garganta profunda”, já que o sexo explícito fere os termos de uso dos serviços de hospedagem de vídeos. É complicado até encontrar o filme para locação. Por isso, se você se interessou pelo assunto, o filme “Lovelace”, a cinebiografia de Linda Lovelace. Por focar, inclusive, em acusações de que a atriz teria sido vítima de violência sexual durante as filmagens, um fato relatado pela própria Linda anos depois, “Lovelace” ajuda a enxergar o lado menos altruísta dessa luta pelo desejo feminino.

(Publicado originalmente em 16/09/2013, no site Salada de Cinema)

Como Madonna ajudou Tarantino a criar uma abertura inesquecível

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Quem hoje lê o nome do diretor Quentin Tarantino em um cartaz de cinema, já sabe o que esperar de um filme dele. No entanto, em 1992, quando lançou “Cães de aluguel”, o cenário era bem diferente. Desconhecido e estreante, Tarantino não inspirava confiança sequer nos produtores de cinema, que rejeitaram todos os pedidos de financiamento para seu filme de estreia. A saga dos ladrões de diamantes foi o terceiro roteiro que ele escreveu, mas só chegou às telonas porque foi financiado pela venda de seus dois primeiros escritos (“Amor a queima-roupa” e “Assassinos por natureza”) para os cineastas Tony Scott e Oliver Stone, respectivamente.

No entanto, a pouca experiência não quer dizer que ele não tivesse bem claro na cabeça o tipo de cinema que ele queria fazer: violento, boca-suja, com uma trilha sonora caprichada e um jogo divertido de referências cinematográficas. Por isso, a abertura de “Cães de aluguel” é um daqueles raros exemplos que sintetizam o universo criativo de um artista. E uma dos principais motivos vem da forma como o diálogo transborda cultura pop.

Na sequência, somos apresentados aos oito personagens em uma mesa de restaurante. O tema da conversa é o mais banal possível: a música “Like a virgin”, da Madonna. Enquanto terminam uma xícara de café, eles discutem uma teoria subjetiva para o significado da letra: a cantora pop estaria falando simplesmente sobre a perda da virgindade ou da primeira vez em que saiu com um homem bem dotado? Ao longo da conversa, conforme cada verso é destrinchado, até o espectador mais desconfiado precisa dar o braço a torcer e reconhecer que a interpretação de Mr. Brown pode muito bem fazer sentido.

Mais do que um tratado sobre o real significado de “Like a virgin”, a presença deste debate na abertura de “Cães de aluguel” traz o legado pop da pós-modernidade presente nas obras do cineasta. As referências à música, aos quadrinhos, à televisão e ao próprio cinema não aparecem nos filmes como um símbolo ou uma metáfora, mas sim porque esses produtos culturais já foram internalizados de tal forma pelas pessoas que estão incorporados ao nosso dia a dia, se tornaram comuns. É uma abordagem que se repete em seus filmes, seja quando o assunto é o lanche Mc Quarteirão em “Pulp ficton – Tempos de violência” ou quando Bill usa o Superman para se explicar em “Kill Bill – Volume 2”.

Questionado uma vez sobre por que seus roteiros possuem um conteúdo pop tão marcante, Tarantino justificou que as citações destacam o prazer de consumir cultura pop. Ainda que outros elementos apareçam na abertura completa de “Cães de aluguel” (ela dura quase 10 minutos e não está inteira no vídeo acima), é esta característica que melhor resume seu cinema. Afinal, trata-se sempre de exaltar o prazer, começando pelo prazer cinematográfico. Daí a escolha por temas e gêneros que sempre estimulam o divertimento descompromissado, seja no faroeste de “Django livre”, nas artes marciais em “Kill Bill”, no filme de guerra em “Bastardos inglórios” ou no clássico roubo a banco de “Cães de aluguel”.

Notar que o próprio Tarantino é a primeira pessoa que aparece em seu primeiro filme e ainda por cima filosofando sobre a cultura pop é perceber que ele, desde a estreia, se apresenta para a gente e não deixa dúvidas sobre seu universo.

(Publicado originalmente em 19/08/2013, no site Salada de Cinema)

Um baralho, um cassino e a melhor abertura do novo 007

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Quando Martin Campbell assumiu a direção de “007 Cassino Royale”, ele ganhou um verdadeiro abacaxi: reinventar o espião mais famoso do mundo no momento que ele estava mais em baixa. Afinal, vamos concordar: desde o final da década de 1980, James Bond havia se enfiado em uma série de filmes fracos e anêmicos. E são vários os motivos para isso! Primeiro que, desde a queda do muro de Berlim em 1989, o espião havia perdido seu grande vilão cinematográfico: os comunistas que queriam dominar mundo. E, claro, sem um grande vilão, fica difícil ser o salvador da pátria. Segundo que o atores Timothy Dalton e Pierce Brosnan, por mais que encarnassem a elegância e o charme do personagem, nunca conseguiram dar a ele apelo popular e comercial suficientes para honrar sua trajetória. E terceiro que a franquia 007 sentiu na pele a concorrência pesada do cinema de ação dos anos 1990, um período no qual a sutileza e inteligência de James Bond não tinham como competir com os músculos, a ferocidade e a testosterona da pancadaria de Jean-Claude Van Damme e Sylvester Stallone. Como se já não fosse o bastante, quando Matt Damon e seu Jason Bourne reconfiguraram o cinema de espionagem em 2002 com “A Identidade Bourne”, parecia que o último prego no caixão estava posto. E foi então, justo quando a água bateu na bunda, que surgiu o melhor filme de 007 nos últimos 20 anos.

Em “007 Cassino Royale”, Martin Campbell mudou os rumos de James Bond usando uma estratégia inteligente: usou o primeiro livro no qual o personagem aparece para mostrar o começo de sua trajetória. Porém, o diretor evitou fazer um reboot clássico e ignorar os 20 filmes anteriores do herói. Na produção, aos poucos o melhor matador a serviço do Reino Unido vai adquirindo cada uma das características que o tornam um ícone. Um processo que começa na sequência de abertura.

Primeiro de tudo, Campbell utiliza a quebra da expectativa para surpreender o espectador. Ao invés de começar o filme com a clássica cena em que James Bond atira contra a tela e dá início à sequência de créditos (uma marca de todos os filmes anteriores que você pode conferir aqui), o diretor nos apresenta Bond antes de ele se tornar um agente 00 (para conseguir o título, ele tem que matar dois criminosos).  A sequência, que intercala diálogos a uma luta brutal em um banheiro, dura pouco mais de quatro minutos. Nela, é perceptível que Bond é um agente inteligente, brutal e que não hesita em partir para a briga, ainda que sua brutalidade neste primeiro momento transpareça uma boa dose de nervosismo e imaturidade. É no final da sequência apenas, quando Bond extermina seu segundo rival, que enfim há o tiro em nossa direção e começa a sequência de créditos.

Os créditos de 007, que se tornaram um patrimônio da cultura pop, aqui também são apresentados com modificações. Totalmente imersos no tema da jogatina, a principal ausência ao longo da animação são as mulheres que sempre rodeiam o agente secreto. Uma vez que o personagem passa por uma jornada de formação do mito ao longo do filme, os criadores consideraram que somente no final dele Bond se tornaria o sedutor que conhecemos. Logo, encher a sequência de mulheres iria contra a narrativa do longa-metragem. Porém, no lugar delas, ganha destaque outro elemento com o qual o agente possui grande intimidade: a violência. São perseguições, lutas e emboscadas que ganham um tratamento metafórico, abstrato e totalmente estilizado. A ação se passa sobre mesas de um cassino, os tiros e armas se transformam em naipes do baralho, as miras de revólveres são roletas de apostas e o cenário é adornado com os arabescos que ilustram os versos das cartas de baralho. Uma escolha visual que casa perfeitamente com a canção-tema “You Know My Name” interpretada de forma tão visceral por Chris Cornell. Não tem como não saber que se trata de James Bond quando ela termina.

Para mim, definitivamente, a melhor abertura de um filme do 007 de todos os tempos. Desculpe, Adele!

(Publicado originalmente em 05/08/2013, no site Salada de Cinema)

A abertura de “O talentoso Ripley” revela ou camufla o protagonista?

A primeira impressão é a que fica. O ditado popular serve como lei para a apresentação dos personagens em um filme: é neste primeiro momento que a audiência vai estabelecer ou não um vínculo de confiança com o personagem. Para cumprir esta tarefa, muitas produções optam por apresentações extremamente descritivas, para que não restem dúvidas sobre quem é quem. Mais arriscado, no entanto, é fazer como “O talentoso Ripley”: criar uma sequência que explica pouco, mas que deixa muitas pistas sobre o golpista mais engenhoso do cinema.

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A sequência de créditos é a responsável por apresentar Tom Ripley ao público. Após encontrá-lo arrependido de tudo que viveu, o espectador é transportado para uma cobertura de Nova York, onde o personagem toca piano em uma festa de milionários. Pelo brasão no paletó do jovem, o Sr. Greenleaf o identifica como amigo de faculdade de seu filho Dickie e o convida para uma conversa no dia seguinte. Ao fim da festa, Tom devolve o paletó a um amigo e corre para seu real emprego: ele trabalha no banheiro de um teatro. No segundo encontro com o Sr. Greenleaf, Tom é convidado para ir à Itália convencer Dickie a retornar aos EUA. Ripley aceita, se prepara para a viagem e logo embarca rumo ao Mediterrâneo.

Narrativamente, a sequência inicial apresenta quase toda a sinopse de “O talentoso Ripley”. Falta apenas dizer que Tom se encanta com a vida de Dickie, muda os planos e cria artimanhas para ter uma vida de luxo igual à do herdeiro milionário. No entanto, mais que criar a base do roteiro, os 8 primeiros minutos de filme dão muitos indícios sobre o caráter do protagonista.

O que fica mais evidente é sua faceta dissimulada e oportunista. Mesmo sem conhecer Dickie, Tom não revela à família Greenleaf que o terno não lhe pertence e que tudo não passa de um mal entendido. Pelo contrário, ele embarca na mentira e a sustenta mesmo sabendo da dificuldade de sua tarefa na Itália, uma vez que sequer conhece o herdeiro. Aproveitando-se da informação de que Dickie adora jazz, Ripley se obriga a decorar canções e artistas do gênero e usará a música para se aproximar do playboy. O que também não deixa de evidenciar um comportamento calculista e premeditado.

No entanto, do mesmo jeito que desvenda o golpista, a sequência de créditos também o torna complexo ao expor suas fraquezas. Quando nos deparamos com Tom arrependido logo no começo, por exemplo, sua imagem surge fragmentada por um efeito visual, como se ele vivesse aos pedaços. Em outra cena, quando ele observa o concerto por trás das cortinas, vemos apenas metade de seu rosto, como se ele sempre mostrasse apenas uma parcela de si.

O mais desconcertante, porém, aparece de maneira rápida quando surge o título do filme. Antes de a palavra “talentoso” aparecer na tela, seu espaço é preenchido rapidamente por uma série de outros adjetivos. Alguns, são qualidades (inocente, amável, bonito, inteligente, sensível, adorável, apaixonado, delicado e agradável). Outros, defeitos (obcecado, solitário, reservado, misterioso, perturbado e confuso). Com isso, fica a dúvida: afinal, quem é Ripley? É o bonito ou o solitário? E mais: cada adjetivo descreve sua personalidade ou é apenas a imagem que ele quer passar? Talvez o grande talento de Ripley seja não deixar claro com quem estamos lidando. Assim, por mais que a gente ache que o conheça, pode ser que estejamos justamente caindo em sua armadilha.

(Publicado originalmente em 22/07/2013, no site Salada de Cinema)

‘Bonequinha de luxo’ é um patrimônio da moda e da cultura pop

Sabe aquela regra da etiqueta de que “menos é sempre mais”? Ela deveria ser aplicada com mais frequência às aberturas de filmes. Isso porque não é apenas com os efeitos especiais e com a edição frenética da escola Michael Bay de Cinema que uma sequência inicial entra para a história da sétima arte. Pelo contrário. A sutileza é uma característica que pode tornar uma abertura delicada, singela e elegante. E aí, tanto faz se o projeto tinha um orçamento pequeno ou uma estrela como Audrey Hepburn no elenco. “Bonequinha de Luxo”, de 1961, é um exemplo disto e seus minutos iniciais se tornaram um patrimônio da cultura pop.

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Inspirado em um livro do escritor Truman Capote, o filme conta a história de Holly Golightly, uma jovem que ganha a vida saindo com homens por dinheiro. Uma profissão que fica entre acompanhante e garota de programa (ainda que o filme não faça referências a relações sexuais). Quando um escritor se muda para o prédio de Holly, nasce uma relação de fascinação mútua. Um envolvimento que vai revelar o passado da jovem e sua faceta sonhadora.

É justamente esta parte da personalidade de Holly que ganha destaque nos créditos iniciais. Ao som da música “Moon River”, Audrey Hepburn desce de um táxi em frente à joalheria Tiffanny’s. Com um pão e um copo de café na mão, ela toma o desjejum enquanto observa as vitrines. Uma situação fiel e literal ao título original do filme, que em inglês se chama “Breakfast At Tiffanny’s” (“Café da manhã na Tiffanny’s”). Em seguida, ela caminha e vai para casa. Simples. Poético. Marcante.


Vista de forma racional, a sequência parece extremamente trivial. Porém, ela revela a inocência de Holly. Para a jovem, observar às vitrines da joalheria funciona como uma válvula de escape. É na Tifanny’s que ela se acalma e esquece dos problemas em momentos de crise. É na beleza das jóias que ela projeta o mundo feliz que criou ao se mudar para Nova York. Uma fragilidade que a define por mais que ela tente transparecer forte e independente.

Filmada em uma manhã de domingo em frente ao prédio da Tiffanny’s em Nova York, a abertura de “Bonequinha de Luxo” é sem dúvida a cena mais emblemática da carreira de Audrey Hepburn. O mais curioso, entretanto, é que ela nunca foi a primeira opção para o papel. Quando Truman Capote vendeu os direitos do livro para o cinema, ele exigiu que Holly fosse interpretada pela atriz Marilyn Monroe, pois ele havia escrito o livro com ela em mente. Só que os agentes da loira a convenceram a não aceitar o papel, pois viam que viver uma garota de programa poderia atrapalhar sua carreira. Audrey foi então convidada e aceitou o papel por um cachê de 750 mil dólares, o que a tornou a segunda estrela mais bem paga de Hollywood na época. Porém, mesmo com a coragem de assumir o papel de uma acompanhante, a entrada dela no projeto trouxe várias alterações na história. A principal é que a faceta bissexual da personagem foi completamente apagada.

Apesar de curta, a abertura é um ícone importante na cultura pop principalmente pela influência no mundo da moda. O vestido preto que a atriz usa, seu penteado, os óculos escuros e o colar de pérolas se tornaram uma febre na década de 1960 e até hoje estão presentes em coleções e editoriais de moda. Criado pelo estilista Hubert Givenchy quando ele iniciava sua trajetória profissional, o figurino é apontado por muitos estilistas como uma referência visual imprescindível. Tanto que o vestido preto da abertura é uma das roupas mais icônicas do século XX e não seria exagero dizer que é o vestido preto mais famoso de todos os tempos. Uma fama que justifica o preço de 807 milhões de dólares pelo o qual foi leiloado em 2007.

‘A Vida de Brian’, deboche e a melhor sátira do cinema

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Uma das marcas históricas da comédia é sua relação anárquica com os tabus sociais e com a ordem. Através do riso, os comediantes criticam os costumes sociais e satirizam hábitos e preconceitos que reproduzimos sem pensar. A intenção é que mostrar o lado ridículo das atitudes faça a sociedade evoluir. No cinema, vários artistas se tornaram ícones graças à forma como chacoalhavam nossos alicerces. Chaplin, por exemplo, foi um grande crítico da industrialização (é só ver “Tempos Modernos”) e do nazismo (em “O Grande Ditador”).  Já na década de 1970, foi o grupo britânico Monty Python que provocou polêmicas no mundo inteiro. Seu filme “A Vida de Brian” é uma das comédias mais escandalosas, controversas e criativas das últimas décadas, características visíveis desde a sequência de abertura.

O filme é uma grande sátira religiosa sobre a Bíblia e sobre o período em que Jesus viveu. Os comediantes retratam a história de Brian, um morador da Judéia que vive com a mãe na pobreza e se envolve em uma disputa contra os romanos que governavam o território. Ao longo da história, ele é confundido com o Messias, faz curas milagrosas, ganha seguidores, e, claro, acaba condenado à crucificação.

Apesar de declararem que o filme não era uma piada sobre o cristianismo, os membros do Monty Python brincam o tempo todo com os dogmas da Igreja. Na abertura, por exemplo, acompanhamos a clássica viagem dos Três Reis Magos durante o nascimento de Cristo. Construída como uma pequena esquete, a sequência mostra os três viajantes chegando a um estábulo e encontrando uma mãe com o filho na manjedoura. Interpretada por um dos homens do grupo, a matriarca é uma figura interesseira e grosseira, bastante diferente da imagem que temos de Maria. A cada diálogo, os comediantes aumentam a sensação de que estão ridicularizando o Natal, mas, ao final, revelam que ali não é a manjedoura de Jesus.

Para chegar ao tom exato da cena, os membros do Monty Python aproveitaram a experiência pessoal de cada um (todos haviam passado por colégios católicos) e estudaram os textos bíblicos para encontrar as piadas. A conclusão a que chegaram era de que o humor não estava em Jesus Cristo, e sim ao redor dele. Uma decisão que fica clara já na abertura, pois o protagonista Brian leva uma vida paralela à de Cristo desde o nascimento e se envolve em situações que poderiam ter ocorrido naquele período histórico. Do mesmo modo, ao mostrar o sermão de Jesus na montanha, os comediantes se afastam do filho de Deus e se concentram no comportamento do povo que ouvia o discurso, pois era ali que morava o inusitado.

Talvez hoje a sequência já não cause tantas risadas e nem polêmica, pois a fórmula de humor do Monty Python (que misturava paródia, nonsense e politicamente incorreto) foi explorada à exaustão aqui no Brasil por grupos como Casseta & Planeta e Hermes & Renato. No entanto, é só analisar o barulho causado pelo filme em 1979 para entender como os comediantes eram populares e provocavam as instituições. Um exemplo é o vazamento das dez primeiras páginas do roteiro de “A vida de Brian” logo após as filmagens. Elas caíram nas mãos de grupos religiosos do Reino Unido e geraram uma reação tão acalorada que contou até com acusações de blasfêmia. Quando o filme foi lançado, muitas cidades se negaram a exibi-lo, mas isso não impediu que o público organizasse excursões até cidades vizinhas para ver a película. Uma prova de que proibir e boicotar atrai muito mais publicidade do que rejeição.

Ainda que os tempos tenham mudado e atualmente o filme possa ser visto como uma comédia leve (apesar de a classificação indicativa ser 18 anos), “A vida de Brian” mostra que uma comédia pode ser usada para refletir sobre fanatismo e imperialismo. E que os limites da liberdade de expressão e do humor ainda continuam na pauta do dia mesmo 30 anos depois.

P.S.: aproveite o vídeo acima e veja também a sequência de créditos de “A vida de Brian”, logo após a abertura. Com uma animação inspirada na cultura italiana, os comediantes criam uma narrativa surrealista para apresentar a jornada do protagonista, de bebê a Messias. Três minutos que misturam arquitetura, arte, cristianismo, judaísmo e até a flor de lótus budista. Isso sem falar na música “Brian Song”, que conta de forma cômica o crescimento do garoto, falando até de seu desenvolvimento sexual. Pela dificuldade de leitura, os próprios Pythons afirmam que o menos importante nesta sequência são os nomes da equipe.

(Publicado originalmente em 17/06/2013, no site Salada de Cinema)