Como as continuações vão mudar a cara da Pixar

Desde que estreou com “Toy Story”, em 1995, a Pixar construiu uma redoma de admiração. Além da qualidade técnica das animações, que não se comparavam a nada que os concorrentes faziam naquele momento, o estúdio sempre mereceu destaque e reconhecimento pela qualidade dos roteiros que produzia. Histórias de uma inteligência tão grande que conseguiam divertir as crianças e ao mesmo tempo emocionar os adultos. Nos últimos anos, no entanto, uma nova realidade começou a dar as caras: se antes a preferência era por histórias originais, a partir de 2010 as continuações ganharam força na Pixar. Uma alteração que indica que os rumos da empresa vão mudar definitivamente nos próximos anos.

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Não que sequências sejam uma novidade para o estúdio. Afinal, o próprio “Toy Story” ganhou uma em 1999 e outra em 2010. No entanto, ao longo de 15 anos, a turma de brinquedos foi a única exceção no portfólio da Pixar. Dos 11 filmes lançados entre 1995 e 2010, apenas dois são continuações. E ainda assim são trabalhos tão cuidadosos e caprichados que “Toy Story 2” é apontado por muitos cinéfilos como o melhor da trilogia e dá de lavada em outros filmes originais, como “Carros”.

No entanto, a segunda década dos anos 2000 trouxe uma mudança de paradigma. Dos três filmes lançados entre 2011 e 2013, dois são continuações: “Carros 2” e agora “Universidade Monstros”. Uma tendência que deve continuar nos próximos anos, pois a Disney (que comprou a Pixar em 2006) já anunciou para 2015 a sequência de “Procurando Nemo”. No embalo, Brad Bird, de “Os Incríveis”, declarou que pensa em continuar a história da família de super-heróis e Mark Andrews, o homem por trás de “Valente”, também disse que quer um novo filme da princesa Merida. Somados ainda à declaração do presidente da Disney de que nos próximos cinco anos eles vão “continuar investindo em histórias originais e em grandes sequências” (assim mesmo, no plural), é de se esperar que grande parte das histórias ganhem novos desdobramentos.

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Mas o que isso muda? Muita coisa. Para a Pixar, a qualidade da história sempre foi tão importante quanto o sucesso de bilheteria e muitas vezes este sucesso era uma simples consequência da qualidade. O que mais chama atenção nas novas continuações, no entanto, é que elas soam extremamente gratuitas. “Carros”, por exemplo, já é um filme original tão fraco que não precisava de uma sequência. “Monstros S.A.” e “Procurando Nemo”, por outro lado, são filmes incríveis, mas com um final muito claro. Por isso, os novos projetos levam a crer que o mais importante agora não é a continuidade da história e o desenvolvimento dos personagens, mas sim a busca por dinheiro. Uma mudança de rumos na Pixar que tem tudo a ver com o jeito que a Disney conduz suas empresas.

É só olhar, por exemplo, para a Marvel, outra empresa que o estúdio do Mickey comprou. A gigante dos quadrinhos criou uma verdadeira avalanche de filmes de super-heróis e construiu os personagens de forma que eles rendam novas histórias sempre, nem que para isso precisem juntar todos em um só filme (como em “Os Vingadores”) ou recomeçar a história com um novo elenco (taí “O Espetacular Homem Aranha”). E por que isso? Porque agora os personagens são estrelas multiplataforma. Além do cinema e dos quadrinhos, os heróis têm atrações temáticas na Disney World e são fonte inesgotável de produtos licenciados. Logo, precisam estar sempre em evidência. A partir do momento em que entraram para o universo Disney, Capitão América, Homem de Ferro, Nemo, Buzz Lightyear e todos os personagens da Pixar se tornaram grandes geradores de renda, com público fiel e cativo. Um potencial de lucro que qualquer empresa comercial do mundo exploraria até a última gota.

A curto prazo, os novos anúncios geraram tanto felicidade nos fãs quanto preocupação nos críticos. Além de uma necessidade empresarial, será que as continuações são um sinal de que a Pixar está passando por uma crise criativa? É uma questão que só o tempo vai responder.

(Publicado originalmente em 25/06/2013, no site Salada de Cinema)

A carreira errante de Chris Pine

O par de olhos azuis veio do pai, o ator Robert Pine. Mas somente eles ainda não foram suficientes para fazer Chris Pine decolar em Hollywood. Apesar dos suspiros que seu olhar e seu sorriso geram por onde passa, o ator ainda não conseguiu emplacar uma carreira consistente ao longo dos 10 anos em que batalha na capital do cinema. E se nem o papel principal de “Star Trek” conseguiu dar uma mão, fica difícil saber o que mais pode ajudar.

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Apesar da árvore genealógica de atores (além do pai, a avó paterna também era atriz), os primeiros papéis de Chris Pine foram muito parecidos com o de outros tantos aspirantes a astro: em seriados de TV. O ator fez pontas em produções como “E.R.” e “CSI: Miami” em uma tentativa de conseguir visibilidade e convites para outros projetos. De certa, a estratégia deu certo! Em 2004, ele foi o galã do filme “O Diário da Princesa 2”, uma produção que rendeu quase 100 milhões de dólares no mundo inteiro.

Se parecia que a partir daí as portas do sucesso haviam se aberto para Pine, logo veio o balde de água de fria. Seu próximo filme, o drama independente“Confession”, foi um fracasso tão grande que foi lançado direto nas locadoras. Entre novas aparições em seriados, Chris intercalou uma série de filmes pequenos. Além de “Maldita Sorte”, em que contracena com Lindsay Lohan, vieram “Encontro às Escuras”“A Última Cartada” e “O Julgamento de Paris”, filmes que mal pagaram seu orçamento e tiveram uma repercussão pífia.

Com um histórico destes, é surpreendente que o diretor J.J. Abrams tenha confiado a Pine o papel principal da refilmagem de “Star Trek”, em 2009. Segundo o ator já contou em entrevistas, seu primeiro teste para o papel foi sofrível, pois ele não se levava a sério como chefe da tripulação da Enterprise. Somente após um segundo teste junto com o ator Zachary Quinto é que Chris conseguiu o papel, muito devido ao seu carisma no vídeo e à boa química com o companheiro de cena. Pesou também para a escolha a opinião de Quinto, pois ambos eram amigos (frequentavam a mesma academia) e essa proximidade poderia ser aproveitada a favor da amizade que une o Capitão Kirk a Spock.

Que “Star Trek” que foi um sucesso, não precisa nem dizer. Afinal, o filme ressuscitou a franquia “Jornada nas Estrelas”, que estava bem mal das pernas desde o fim da década de 1990. Tanto que ganhou a sequência que estreia agora. Mas será que o Capitão Kirk também exerceu um papel positivo na carreira de Pine? Olhando os filmes que ele fez depois que voltou do espaço, parece que mais uma vez o ator está deixando a oportunidade escapar por entre os dedos.

Dos seis filmes lançados após “Star Trek”, os dois mais comerciais são a comédia “Guerra é Guerra” e aventura “Incontrolável”. Dois filmes que não acrescentam nada à carreira artística de Pine e nem mesmo servem como um novo direcionamento para sua carreira, agora como ator de ação. Já os filmes independentes, como “Small Town Saturday Night” e “Bem-vindo à Vida”, também não lhe impuseram um desafio de interpretação ou lhe tornaram um ator sensível e dramático.

Com “Além da Escuridão – Star Trek”, Hollywood dá uma segunda chance para o ator aproveitar positivamente a visibilidade. Com o tom mais dramático da sequência e também mais explosivo, é uma possibilidade para ele mostrar que também pode emocionar ou então ser o novo brucutu de Hollywood. É esperar pra ver se o novo capítulo da franquia vai levar Chris Pine onde ele jamais esteve: perto do reconhecimento.

(Publicado originalmente em 20/06/2013, no site Salada de Cinema)

Uma nova esperança para Zoe Saldana

Depois de tentar a sorte em Hollywood por anos, você consegue o papel da mocinha no filme de um grande diretor. A produção, que desde o anúncio era divulgada como revolucionária, estoura no mundo inteiro. Só de bilheteria são quase 3 milhões de dólares e o filme entra para a história como a maior arrecadação de todos os tempos! Uma visibilidade enorme, não? Só tem um problema: você não aparece no filme. Ou melhor: você aparece, mas não como você mesma e nem com seu rosto. É este o drama da atriz Zoe Saldana, a mocinha por trás da alienígena Neytiri em “Avatar”. Corpo, voz e emoções por trás do personagem, Zoe teve sua atuação registrada por captura de movimentos e, graças à animação gráfica, virou a criatura. Façanha que a transformou, ao mesmo tempo, na atriz mais e menos conhecida do mundo.

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“Avatar”, no entanto, não foi o primeiro grande filme da atriz. Lançado sete meses antes do filme recordista, “Star Trek” foi a primeira grande oportunidade de Zoe. Apesar da aparição pequena e em um papel secundário, o filme garantiu uma visibilidade interessante para a atriz americana. Considerando que em “Avatar” seu rosto não aparece em uma cena sequer, dá pra afirmar que foi como a “namorada” de Spock que ela entrou no radar de muitas pessoas.

De lá pra cá, no entanto, nem tudo são flores. Assim como Chris Pine, seu companheiro de “Star Trek”, Zoe se envolveu em projetos pequenos que tiveram pouco retorno e cuja visibilidade artística é limitada. Em “Morte no Funeral”, por exemplo, seu personagem é tão secundário que por vezes nem é citado nas sinopses. Situação semelhante à de “Ladrões”, no qual o nome da atriz sequer consta no cartaz. E se em “Em busca de vingança” Zoe é a protagonista, o massacre de críticas negativas ao filme abafou completamente seu papel principal.

De volta aos holofotes agora com “Além da Escuridão – Star Trek”, aparentemente os próximos trabalhos de Zoe têm tudo para gerar repercussão. Para o bem ou para o mal. Em “Nina”, que deve ser lançado ainda neste ano, ela dá vida à cantora ícone do jazz Nina Simone. Apesar da polêmica de que seria branca demais para interpretar a artista negra, este pode ser o grande papel dramático de sua carreira e atrair prêmios e reconhecimento. É só olhar o que a cinebiografia de Edith Piaf trouxe para Marion Cottillard e a de Ray Charles trouxe para Jamie Foxx. Se não der certo, pelo menos ela já tem uma posição de coadjuvante reservada na adaptação de “Guardiões da Galáxia”, filme da Marvel que deve ter importância central em “Os Vingadores 2”.

É torcer para que a beleza da atriz não seja uma maldição em sua carreira. E também para que ela se decida se assina Zoe Saldana, Zoë Saldana, Zoe Saldaña ou Zoë Saldaña. Afinal, não dá pra se tornar uma estrela se o seu nome muda a cada trabalho.

(Publicado originalmente em 21/06/2013, no site Salada de Cinema)

Quem paga a conta mesmo?

Foi-se o tempo que as gravadoras desembolsavam milhões de dólares para produzir videoclipes. Pelo menos é essa a conclusão a que chegamos depois de ver o novo clipe da Jennifer Lopez, “Papi”, lançado hoje. O vídeo, que traz um batalhão de homens correndo atrás da cantora, além de muitos atores, explosões, acidentes e efeitos especiais, com certeza não custou barato. Mas ok, afinal não foi pago unicamente pela Universal Music. Porém, se não foi a gravadora quem pagou, quem foi?

Eu, que não sou ligado a marcas e grifes, identifiquei pelo menos seis merchandisings nos cinco minutos de vídeo: o celular BlackBerry, o site de relacionamentos Planet Love Match, a joalheria Tous, a garrafa da bebida que a garçonete serve (não-sei-o-que Black), o carro da Fiat e a bolsa azul que aparece no meio e no fim (não sei a grife, mas, pela persistência com que aparece, deve ser famosa). Não duvidaria se os salgadinhos atrás da porteira do prédio também fossem propaganda. Até o cachorrinho oferecido pra Jennifer Lopez deve ser de um pet shop. O que importa é que todo o investimento do clipe foi dividido entre essas empresas. A gravadora em si deve ter entrado apenas com uma pequena parte do bolo, se é que entrou.

Já faz um tempo que os clipes têm apelado ao merchan para se pagarem. Lady Gaga já usou essa tática em “Bad Romance“, Britney em “Hold It Against Me” e Katy Perry , então, nem se fala (a cantora conseguiu a façanha de ter o merchandising mais escancarado da última década com os óculos da Vogue no final de “E.T“). Clipes inteiramente bancados pelas gravadoras, como o de “Scream“, do Michael Jackson (que custou 7 milhões de dólares e é até hoje o clipe mais caro da história), não fazem mais parte da indústria fonográfica, que está em crise pelo menos desde o começo dos anos 2000. Mas isso é um problema? Pra mim, não. Afinal, se a indústria precisa manter a roda rodando e os cofres secaram, de algum lugar tem que vir o dinheiro. Essa “venda” só passa a ser problemática quando o merchan atrapalhar a história do filme. E em “Papi”, ele não atrapalha.

No final, é muito bom ver que Jennifer Lopez fez um bom clipe, principalmente bem humorado. Humor é um artigo em faltando no showbiz e, de alguma forma, 2011 está recuperando essa característica. Além de “Papi”, “I Wanna Go“, da Britney, e “Last Friday Night“, da Katy Perry, mostraram neste ano que o melhor pop é aquele que não se leva a sério. E tomara que o ano e a década continuem assim.

Os homens contra Rihanna

Quais limites um jornalista deve respeitar na hora de escrever uma reportagem? É um questionamento que nós, profissionais da comunicação, sempre temos em mente. Mas, aparentemente, este cuidado não passou pela cabeça dos jornalistas Thales de Menezes e Iuri de Castro Tôrres ao criarem a matéria de capa da Ilustrada na Folha de S. Paulo da última sexta-feira (16 de setembro). Aproveitando a chegada da cantora Rihanna ao Brasil, eles fizeram um panorama interessante sobre o comportamente irreverente das cantoras pop que fazem shows por aqui nos próximos meses. A sacada da pauta era realmente boa, mas a forma como ela foi conduzida beirou a falta de respeito.

O trecho mais problemático é este:

Rihanna gravou o primeiro CD -e recebeu disco de ouro- ainda adolescente. Nascida em Barbados, era descrita na imprensa como “decidida” e “dona de seu nariz”.

Aí o marido, o cantor Chris Brown, acertou esse nariz e outras partes do corpo dela.

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Ao tratar a agressão contra Rihanna com comicidade, como parte do espetáculo, os jornalistas demonstraram total falta de sensibilidade com uma situação séria e preocupante. Da forma como é relatada, com extremo mau gosto, a violência não parece um fato grave. Pior ainda, chega a soar como corretiva, em uma visão claramente machista. Afinal, sendo Rihanna uma mulher “decidida” e “dona do seu próprio nariz”, não ia demorar muito para que um homem lhe recolocasse de volta em seu lugar de mulher submissa. Ao debochar dos socos que ela recebeu do ex-namorado, os jornalistas acabam, por tabela, debochando também de milhares de brasileiras que vivem uma situação semelhante.

Pode parecer um exagero, mas não é. Depois que foi agredida pelo ex, Rihanna se tornou um ícone para as mulheres que eram agredidas pelos companheiros, e involuntariamente, já que nunca se posicionou como um mártir ou usou a agressão Seu caso foi explorado em muitos programas de televisão nos EUA, como o da apresentadora Oprah, para alertar as mulheres sobre como se defender e incentivando-as a denunciar os agressores. Em um de seus últimos clipes, “Man Down”, Rihanna retrata uma situação de violência e conclama as mulheres a reagirem ante seus predadores (apesar de clipe mostrar sua vingança, a cantora declarou que era uma encenação extrema de como as mulheres precisavam reagir). Por isso, sempre que se zomba da agressão contra Rihanna, os autores estão zombando também de toda a luta contra a violência que as mulheres sofrem, estão rindo de todas as vítimas que, assim como a cantora, se sentem humilhadas pelas mãos dos homens que julgavam amá-las, mas que não pensaram duas vezes antes de fazer isto:

O rosto de Rihanna após a agressão de Chris Brown. Sim, é uma imagem forte, mas precisa ser mostrada para que nunca se esqueça a violência pela qual passam milhares de mulheres no mundo que não tem tanta visibilidade quanto a artista

O rosto de Rihanna após a agressão do ex. Sim, é uma imagem forte, mas precisa ser mostrada para que nunca se esqueça a violência pela qual passam milhares de mulheres que não tem tanta visibilidade quanto ela

Já faz um bom tempo que o jornalismo enveredou por um caminho em que a informação não é mais o único fator importante, em que a notícia deve divertir e entreter o público. É o que fazem, por exemplo, programas como o “Hoje em Dia”, da Record, e o “Globo Esporte”, da Globo. Principalmente em editorias consideradas mais leves, como cultura e esporte, é cada vez mais sutil a linha que separa a informação do entretenimento, que prioriza as piadinhas em detrimento à informação. Como reverter isso? Sinceramente, acredito que não há mais como frear essa modificação, mas há como evitar que casos como o da Folha se repitam. Manter sempre o respeito ao ser humano pode ser o melhor ponto de referência.

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Atualização em 18 de setembro, às 16h04: O Papel Pop divulgou um vídeo de 10 minutos com os melhores momentos do show da Rihanna em São Paulo. Quem gosta da cantora, vale a pena ver.

Por que os brasileiros torcem contra os brasileiros?

Segunda-feira, 12 de setembro, 22h40. Foi a cantora Cláudia Leitte subir ao palco do Miss Universo 2011 para se apresentar durante o desfile em trajes de banho que o twitter foi invadido por uma onda de comentários maldosos. Os motivos? O inglês confuso da música, os clichês da apresentação (com bandeiras do Brasil, berimbaus, araras, muitas penas e capoeiristas) e suposta falta de originalidade da cantora, que teria tentando se igualar a outras artistas internacionais. Foi questão de minutos para Claudia Milk (apelido criado pela personagem Katylene) se tornar um dos assuntos mais comentados do twitter no mundo. Pra muitos, foi um dos maiores micos globais brasileiros dos últimos tempos. Será mesmo?

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Já é tradição no Miss Universo escolher um artista para se apresentar durante o desfile de traje de banho, sempre com uma música animada e cujo ritmo anima a plateia. Aconteceu o mesmo, por exemplo, em 2008 com a apresentação de Lady Gaga. Sim, uma ainda desconhecida Lady Gaga, que seguiu à risca a cartilha do evento e que, com certeza, chamou a atenção de muitas pessoas para seu trabalho (eu mesmo fui um deles, que correu para a internet, achou o álbum “The Fame” e ficou feliz por ter achado uma cantora legal). Claudia Leitte dançou conforme a música, fez o mesmo que todas as artistas fazem e ainda aproveitou para se divulgar para milhões de pessoas o mundo inteiro. Qual foi o erro da cantora baiana? Veredicto: querer fazer sucesso.

Nunca fui fã da Claudia Leitte, por isso não tenho motivos para querer defendê-la, mas tenho percebido nos últimos anos, aqui no Brasil, que sempre que um artista tenta se aventurar no exterior, surge um movimento que torce contra ele. Foi assim quando o ator Rodrigo Santoro conseguiu um papel no filme “As Panteras 2 – Detonando”. Muita gente comemorou as poucas falas do ator no filme, em um coro que parecia dizer: “Bem feito, ninguém mandou querer sair do Brasil”. O mesmo se repetiu com a dupla Sandy & Junior em sua tentativa de carreira internacional. Mais recentemente, a patrulha anti-Made in Brazil atacou a cantora Wanessa, que se distanciou de seu passado no pop nacional e passou a investir em músicas em inglês, com arranjos e visual muito próximos das artistas pop dos EUA. No caso de Wanessa, uma tentativa de emplacar algumas músicas no exterior (como conseguiu com a música “Fly”) e também roubar uma fatia do mercado nacional ocupado pelas Spears e Aguileras. No cinema, o diretor Fernando Meirelles também tem sofrido com a torcida negativa, como apontou o crítico Pablo Villaça no twitter recentemente. O caso mais recente foi Claudia Leitte, e certamente não foi o último.

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São tantos casos, com tantas características em comum, que me fazem pensar o que leva o brasileiro a torcer contra outro brasileiro, principalmente nós, que sempre nos orgulhamos de ser receptivos e hospitaleiros. Primeiro, acredito que o torcer contra venha do egoísmo do fã brasileiro. Ver seu ídolo buscando outros mercados é uma verdadeira punhalada nas costas. “Eu te dei tanto carinho, comprei seus cds, vi seus filmes, torci pelo seu sucesso e é assim que você me retribui? Vai fracassar então, bem feito!”. Conhecendo nossa passionalidade latina e nossa capacidade de nos apegarmos emocionalmente a tudo, acho uma hipótese bem viável.

No entanto, é a segunda hipótese que me deixa preocupado. Somos um povo que valoriza tanto a humildade, que acabamos condenando aqueles que ambicionam mais. Isso é perceptível na nossa cultura. Nas novelas, o vilão é sempre ambicioso, movido por desejos de riqueza e conquista. O rico no Brasil sempre foi a encarnação da ambição, do mal a ser combatido, pois pra nós o sucesso sempre está ligado a uma satisfação econômica. Nossa sociedade valoriza o humilde, o cara que, apesar de ser o melhor no que ele faz, se subjulga e diz não ser tudo isso, o cara que não gosta de receber elogios. No Brasil, é proibido bater no peito e dizer “Eu sou bom mesmo no que eu faço”, pois isso é para os arrogantes. Logo, desejar o fracasso dos ambiciosos é quase uma ferramenta de educação moral e social. E por que acho isso preocupante? Porque sem os ambiciosos e seu sucesso, é impossível alcançar uma palavrinha que está gravada na nossa bandeira: progresso.

Um sonho adolescente pode virar um pesadelo?

Depois de colecionar cinco singles número 1 na parada da Billboard, o mundo ainda parece pequeno para Katy Perry. Sua gravadora anunciou ontem o lançamento do sexto single extraído do álbum “Teenage Dream”, lançado no ano passado. A música da vez é “The One That Got Away”, uma baladinha que tenta abaixar um pouco a poeira depois de tantas músicas animadas e feitas para dançar. Mas o que deveria ser recebido com festa, afinal é legal quando um artista tenta explorar ao máximo um trabalho, teve uma recepção bem morna e pessimista.

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Não vou entrar no mérito dos mecanismos da indústria cultural que levaram Katy Perry a emplacar cinco sucessos no topo da Billboard e se igualar a Michael Jackson na história da música. Até porque meu amigo Samir já fez isso de forma sensacional no Don’t Skip e acho difícil superar essa marca. O que importa saber sobre esse fato é que a busca desenfreada por um recorde trouxe mais críticas que elogios à carreira da Katy. Eu mesmo sou um dos que viu a notícia com desdém. 

O “Teenage Dream” não é um álbum que me irrita. Pelo contrário, acho um bom álbum pop. Das 12 músicas, só acho duas bem chatinhas (e uma delas é “Peacock”, que me cansou já no lançamento por causa do buzz que gerou na internet). O trabalho trouxe a melhor música da carreira da Katy (“Teenage Dream”) e também seu melhor clipe (“Last Friday Night”). Mas não é por ser um bom álbum que precisam trabalhar todas as músicas dele. A cantora tinha que fazer como a Rihanna: reconhecer que esse trabalho não dá mais e partir pro próximo. Além disso, a imagem da Katy Perry está cansada. A tentativa de chamara a atenção no último VMA foi bizarro; ela fazer parte de “Smurfs”, idem.  Cheguei num estado de estafa tão grande que estou quase vendendo meu ingresso para o show dela em Sampa. Pro bem da carreira dela, espero que, em breve, ela entre em um período sabático e fique no mínimo ano sem dar as caras.

Mas, já que a gravadora quer espremer mesmo até a última gota, a escolha de “The One That Got Away” como single até que não foi das piores. Os fãs pediram muito por “Peacock”, mas acredito que como single a música seria um fracasso, pois o principal nicho da música (os gays) já não aguentam mais ouvir a música. “Not Like The Movies”, outra que também foi cogitada, também seria uma péssima escolha, porque, por mais que ela queira trabalhar uma baladinha, a música é muito down pra tocar nas rádios e geraria um fracassão (e um fracasso agora ia manchar – e muito – a conquista dos cinco números 1 na Billboard). Eu, pessoalmente, gostaria que “Hummingbird Heartbeat” fosse a eleita, pois a música ela tem uma boa energia e uma pegada pop rock muito parecida com o álbum anterior da Katy (o “One Of The Boys”), apesar de começar com um dos piores versos da música pop de todos os tempos (“You make me feel like I’m losing my virginity”).

Se existe um momento para se prestar atenção na carreira da Katy Perry, este momento é agora. Com todo o alvoroço em cima do lançamento desse single, é a hora em que se definirá o rumo da sua carreira daqui pra frente. Vamos acompanhar…

O pacto com o demônio

Ciara é uma artista pouco conhecida no Brasil. Cantora de R&B, Ci-ci (seu apelido na mídia americana) surgiu no mercado fonográfico em 2004 e vendeu mais de 4 milhões de cópias pelo mundo do seu primeiro álbum. Por aqui, sua única música a emplacar nas rádios foi “Love Sex Magic”, em parceria com Justin Timberlake, feito explicado apenas pela popularidade do cantor.

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Apesar da minha pouca afinidade com Ci-ci, um fato recente me sensibilizou. No final de 2010, ela lançou seu quarto álbum de estúdio, chamado “Basic Instinct”. Na primeira semana de vendas, considerada a mais forte e decisiva para o sucesso de um cd, foram comercializadas apenas 37 mil cópias, um valor irrisório perto das 200 mil cópias vendidas da coletânea “Michael”, de Michael Jackson. Considerando que as vendas diminuem com o passar das semanas, o cenário não era dos mais animadores. Não a toa, surgiram rumores de que Ciara seria despedida de sua gravadora, a Jive. Na segunda-feira passada, Ciara divulgou um desabafo surpreendente, esclarecendo a situação ao público com uma sinceridade mordaz. Eis o comunicado publicado em seu site:

 

Esta semana rondou pela internet um rumor de que eu teria sido abandonada pela minha gravadora. Até agora esse rumor é falso. A verdade é que eu pedi e rezo para que a minha gravadora me deixe sair. Eu tive ótimos momentos e muito sucesso com minha gravadora, mas, como em todas as grandes parcerias, chegamos naquele ponto em que eu sinto que não compartilhamos mais do mesmo ponto de vista sobre quem eu sou como artista. Os dois últimos cds foram muito frustrantes para mim. Em alguns momentos, houve músicas que eu escolhi para liderar o projeto e fui ignorada! Neste projeto, eu tentei impulsionar “Gimmie Dat”, gastei dezenas de milhares de dólares do meu próprio dinheiro e ouvi das rádios que a gravadora não queria que minha música tocasse. Eu gastei mais de 100 mil dólares do meu bolso no vídeo de “Gimmie Dat” para mostrar a minha visão para a música e ainda assim não tive apoio da gravadora. Entendo que algumas gravadoras não estão apoiando financeiramente seus artistas e eu me tornei uma delas. Vocês, meus fãs, sabem que eu ralo para trazer a vocês as melhores músicas e a melhor visão criativa. Eu sou dedicada à minha música, à minha performance e aos meus fãs! Eu tentei trabalhar em conjunto com a minha gravadora, mas acabei comprometendo o que eu acredito. E não me deram a oportunidade de promover o cd de forma correta e informar meus fãs sobre o lançamento desse cd. Tem tanto de mim como artista para eu ainda quero compartilhar com o mundo e meus fãs. Minha liberação pela gravadora me permitiria ser criativa com as pessoas que realmente se importam e me entendem como artista. Daqui a pouco eu serei capaz de trazer para vocês uma nova energia musical e deleite visual! Muito obrigada por me apoiarem nos bons momentos, nos maus momentos e também nos confusos. Eu amo todos vocês.

 

Usando o caso de Ciara como exemplo, qual a diferença entre ser contratada e ser indie? Ela colocou dinheiro do próprio bolso para poder ver sua arte realizada, enfrentou sozinha o tanque de tubarões das rádios para ouvir sua música tocar, produziu sozinha o videoclipe para expressar sua criatividade da maneira que julgava mais autêntica. O que recebeu da gravadora foi boicote. De acordo com alguns blogs, um dos motivos da ausência de sua gravadora seria a preocupação com a carreira de Chris Brown (que volta a fazer sucesso nos EUA) e com o novo álbum de Britney Spears (a grande galinha dos ovos de ouro da gravadora). A frustração de Ci-ci deve ser muito maior por ser preterida ao invés de simplesmente ignorada, pois evidencia que o problema não é a falta de dinheiro, mas sim uma questão de prioridade. E Ciara não é.    

O estilo de Ciara (pelo o que eu, leigamente, conheço) está muito próximo do hip hop e do rap, com músicas mais declamadas do que propriamente cantadas. É um gênero muito menos popular que o de seus colegas de gravadora, que têm uma pegada mais pop e radiofônica. Logo, seu alcance é muito mais restrito e seu sucesso depende de uma boa dose de investimentos, algo em que uma gravadora seria bem-vinda. No entanto, o que uma gravadora ganha mantendo um artista em seu cast sem aproveitar seu potencial? A aproximação de Ciara de Justin foi, sem dúvida, uma tentativa de popularizá-la, inclusive alterando seu estilo musical. Qual seria o próximo passo? Fazer dela uma concorrente ao mesmo mercado de Beyoncé? Se era essa a intenção, a tentativa foi frustrada pelo grito de liberdade de Ci-ci.

Mesmo que não nos identifiquemos com um artista (e é o meu caso com Ciara), é triste e doloroso ver um desabafo tão visceral e desesperado. É a prova cabal de que um contrato e a estabilidade de uma gravadora não trazem independência, realização pessoal e liberdade. O caso de Ciara revela a face nefasta da industria da música, em que assinar um contrato é vender a alma ao diabo. E a primeira exigência, em letras pequenas, é deixar de decidir quem você é.

*com informações do Don’t Skip.

Britney Spears e a astronomia

O novo clipe de Britney Spears, “Hold It Against Me”, foi lançado na madrugada de hoje e começa com uma metáfora: a cantora, envolta em uma bola de fogo, viaja pelo espaço como um corpo celeste e se choca contra a Terra. A cena pode trazer as mais diferentes interpretações. Os brit-fãs enxergam o retorno de uma estrela, que novamente impacta a humanidade com seu brilho pop. Os brit-fãs mais nerds podem, se quiserem, ainda achar semelhanças com a chegada do salvador Clark Kent à Terra. Eu prefiro enxergar as coincidências entre a artista e os conceitos astronômicos.

Apesar de a cena ser anunciada por vários sites como a chegada de um meteoro, segundo o Instituto de Astronomia e Pesquisas Espaciais, Britney seria um meteorito. Explico: meteoritos são objetos espaciais que atravessam a atmosfera terrestre e se chocam contra o chão, enquanto meteoros (ou estrelas cadentes) são fenômenos luminosos que se decompõe totalmente na atmosfera antes do impacto. Segundo o Discovery Channel, os meteoritos são restos da formação do Sistema Solar ou fragmentos da explosão e morte de estrelas (a chamada supernova). E, sob esse aspecto, fica mais fácil ainda entender como Britney é um meteorito.

O que vimos no clipe depois da explosão do meteorito é claramente um resquício da estrela que Britney já foi. Sua implosão pessoal desde o surto de 2007 (que resultou em agressões a fotógrafos e cabeça raspada) ainda não parece superada. O vídeo de “Hold It Agains Me” desperdiça o barulho criado com o retorno da cantora e também o potencial da música. Com batida dubstep fortemente marcada, certamente todo fã imaginou uma coreografia sensacional, principalmente na “paradinha”, sua marca registrada. No entanto, as cenas de dança ainda estão longe da sensualidade natural e latente dos seus melhores clipes, como em “I’m A Slave 4 U”. A cantora ainda parece pesada como na catastrófica apresentação de “Gimme More” no VMA de 2007, algo que a edição do vídeo claramente tenta camuflar com um ritmo ágil e frenético.

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A vocação de Britney para “estragar” músicas com clipes insossos não é novidade. O mesmo já havia acontecido com “If U Seek Amy” e “3”, ambos de 2009. Em todos, uma história preguiçosa (quando existente) é encapada em uma produção impecável e bem cuidada. E o mesmo apuro visual pode ser visto em “Hold It Against Me”. É impressionante a estrutura de televisores em que ela flutua e principalmente a luta com seu alter-ego, além dos efeitos especiais do início. Porém, fica a sensação de que alguma coisa está faltando.

O sentimento de ausência da velha Britney fica mais forte com a exibição de seus antigos vídeos nos televisores da megaestrutura. Se, teoricamente, a concorrência leva à busca pela qualidade e pela inovação, é doloroso (e irônico) ver que seus melhores momentos estão justamente no passado em que ela reinava absoluta como princesinha do pop. E apesar de a cantora manchar de tinta esse passado, ele é o registro mais icônico do porquê de Britney Spears ser Britney Spears.

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O que eu quero dizer com tudo isso? Que ela está decandente? Que foi superada pelas rivais? Que seu fim está chegando? Não. Uma grife como Britney Spears não se desfaz assim no ar. Britney ainda vai vender muito e agitar a música pop com seu Femme Fatale, ainda vai colecionar recordes e receber troféus no VMA. Ainda vai atrair milhares de fãs aos seus shows e conquistar aqueles que estão torcendo o nariz para “Hold It Against Me”. Tudo isso, porém, em um dos períodos menos inventivos e criativos da sua carreira. E, aqui, outro conceito da astronomia serve como metáfora. Britney, além de um meteorito, é um buraco negro: um símbolo cuja força é tão intensa que, por mais que se tente, ninguém consegue escapar dele. Nem mesmo Clark Kent. Nem mesmo eu.

Update às 23h: Querem um exemplo sobre as milhares de interpretações que os fãs da Britney encontraram pro vídeo? Essa foi a melhor (maior e mais mirabolante) que eu encontrei!

Mulher de fases

Chegou nesta semana ao Brasil, para alívio dos fãs de Christina Aguilera e Cher, o atrasado filme “Burlesque”, lançado em novembro dos EUA. A demora de três meses certamente foi planejada para esperar abaixar a poeira que se levantou nas bilheterias e na crítica especializada. O musical, que teoricamente teria tudo para fazer sucesso, pois trazia diversos elementos de outros musicais que marcaram o gênero (como “Cabaret e “Chicago), simplesmente naufragou: custou 60 milhões de dólares e, até agora, não conseguiu nem pagar os gastos de produção com os 55 milhões arrecadados em ingressos pelo mundo.

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Mas o que deu errado? Não era aguardado o retorno de Cher ao cinema, do qual estava afastada desde 2003? Não era a oportunidade de ver a cantora de volta aos palcos depois de anunciar seu afastamento em 2005? E quanto a Aguilera? A vertente suol e jazz (com um maior apelo pop, claro) e o visual das vedetes já tinha sido explorado com sucesso no seu cd Back To Basics em 2006. Por que não colou de novo? Talvez porque muita água passou embaixo da ponte do showbiz.

Desde Candyman, o mundo de Aguilera simplesmente desabou. Ela lançou uma coletânea dos seus melhores sucessos que não decolou. Quando questionada na época sobre a semelhança entre seu visual e o de Lady Gaga, simplesmente ignorou a concorrente (que ainda era uma iniciante, mas causou tanto barulho como se a destratada fosse Britney Spears). Depois da pausa para a gravidez, voltou no ano passado com o cd Bionic, um fracasso retumbante que não teve mais que dois singles, não teve turnê de shows (cancelados pela baixa venda de ingressos) e foi, com menos de seis meses de lançamento, vendido a 10 dólares nas bancas do Wal-Mart. Foi aqui, neste momento, que o filme foi lançado no mercado norte-americano. Depois disso, terminou o casamento, engordou, errou a letra do hino nacional dos EUA e quase caiu no palco no Grammy no domingo passado. Colapso. Mas, além da má fase de Aguilera, o que mais pode explicar o fracasso de “Burlesque”?

O primeiro problema é cinematográfico. O fiapo de história não é suficiente pra sustentar as 2 horas de duração. Além disso, a inspiração em filmes tão marcantes como Cabaret e Chicago acabam prejudicando o filme, pois já conhecemos de trás pra frente a história da mocinha que queria ser vedete. O grande acerto no filme (e, aqui, palmas para os responsáveis por terem percebido e investido nisso) é o espaço dedicado à voz e às performances de Aguilera, sem dúvida seus melhores atributos. Algo que tinha ficado evidente nas apresentações de “Express” para divulgação.

Mas, para mim, mais grave é o problema com a imagem já cristalizada de Christina na indústria cultural. Fracassos, divórcios e tropeços a parte, sua imagem fixada em mais de 10 anos de carreira não condiz com uma garota humilde. Aguilera sempre foi uma pessoa forte, de atitude, que nem um cd mal recebido é capaz de calar. Sempre enfrentou de peito aberto os problemas que se colocaram à frente e, pelo menos até o aparecimento da Gaga, esteve sempre um passo a frente das concorrentes. Sempre teve um entendimento muito sólido sobre a sexualidade que exalava de suas apresentações, motivo que sustentou insinuações mais ousadas como em Dirrty. Ainda que venha de origem humilde, nada no ícone que se tornou condiz com a moça frágil do interior, que vem buscar um sonho, deixa seu maior talento (a música) encoberto, se submete a um papel de garçonete e fica num joguinho amoroso de gato e rato.

Ok, ser atriz é a arte de viver uma outra vida. Porém, há raros casos em que a sombra do ator encobre a luz do personagem. Esse é um deles. “Burlesque” é nitidamente a batalha em que o Davi de Aguilera na música aniquilou seu Golias no cinema.