Aquele choque de realidade

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Quando completei 18 anos, meu pai fez a pergunta providencial: “você quer tirar carteira de motorista ou prestar vestibular? Porque o pai não tem como pagar as duas coisas, as aulas na autoescola e as inscrições e viagens pra prestar as provas”. Nem pensei pra responder: “o vestibular”.

Eu não tinha perspectiva alguma de ter um carro e não ia me arriscar a pegar o da família, já que meu pai o usava pra trabalhar. E outra: qual a lógica de trocar 11 anos de estudo por algo que eu poderia adquirir com meu próprio dinheiro depois de formado?

Nunca me arrependi dessa decisão e até hoje não sei dirigir – mais que isso, não sei sequer pra qual lado se gira a chave na ignição. Criei uma rotina em que o transporte coletivo atende muito bem às necessidades e ainda posso contar vantagem na mesa de bar de que eu sou um cara sustentável.

Mas, principalmente, não me arrependo porque a meia hora que passo diariamente num ônibus me obriga a ter contato com a vida além dos portões do meu prédio ou da minha mesa de trabalho. Faz com que eu veja e ouça os problemas que afetam o dia das pessoas, como a falta que faz ter asfalto na porta de casa, a creche que não tem vaga pra mãe que cruza a cidade pra trabalhar ou até o menino que precisa usar o chinelo rosa e velho da irmã, mesmo que o número seja tão pequeno que o calcanhar inteiro encoste no chão.

O trajeto é pequeno e meus horários permitem que eu use o transporte coletivo sem lotação. Por isso, posso ser acusado de ter uma visão romântica, um encantamento ingênuo ou de usar a situação para amenizar a minha futilidade. Só que, de alguma forma, viver isso me traz de volta pro chão e mostra que muitos dos meus “dilemas existenciais” são meras distrações. Na pior das hipóteses, é o choque de realidade que me faz menos insensível.

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Adeus, ano velho…

(reprodução)

(reprodução)

Não sei se minha alma de jornalista se acostumou a ter o fim de ano marcado pela retrospectiva da Globo, mas me habituei a começar o balanço do ano assim que dezembro bate à porta. Só que, há pelo menos 4 anos, a TV perdeu espaço nesse momento e a minha ansiedade passou a se concentrar no dia em que o Google divulga o vídeo dos assuntos mais pesquisados.

Diferente da TV, é um resumo que conversa diretamente com o meu dia a dia de internauta e leitor ávido por informação, de “comentarista de internet” que não perde um meme ou discussão da web e que, mais importante de tudo, se emociona com vídeos simples, de pessoas comuns, sobre assuntos banais e grandiosos. E o principal: sempre colocando a emoção e o homem à frente dos fatos.

No vídeo sobre 2014, divulgado ontem, mais uma vez eu terminei com lágrimas nos olhos. E, olhando por esse ângulo, até que não foi um ano tão ruim assim…

O contador de histórias

Quando escolhi ser jornalista, há quase 12 anos, correr atrás da notícia não era minha primeira opção. Minha vontade era trabalhar com literatura ou teatro, mas pra isso eu teria que tentar faculdade em São Paulo e obviamente minha mãe não deixou. Onde já se viu o caipira de uma cidade de 20 mil habitantes ficar sozinho na maior cidade do país? Era uma hipótese fora de cogitação! E foi assim que surgiu o jornalismo, como uma forma de orbitar ao redor de livros e palcos.

Com o tempo, percebi o óbvio: que jornalismo é sobre contar histórias. Histórias de pessoas abandonadas pelo poder público, de gente que luta todo dia contra as adversidades. Do buraco no asfalto que dificulta tirar o carro da garagem às calçadas que impedem pessoas com deficiência de circularem livremente pela cidade. E de quem inventa a cada dia um novo jeito de melhorar a vida  ou usa a própria experiência para evitar os outros caiam nos mesmos erros.

Foto: Jonas Almeida/Soul Fotografia

Foto: Jonas Almeida/Soul Fotografia

Por que eu estou lembrando de tudo isso? Porque ontem foi um desses dias em que senti orgulho de poder contar histórias. Junto com outubro, ontem terminou a Campanha Outubro Rosa. E por isso eu e um grupo de profissionais ficamos responsáveis por contar a história de três mulheres bauruenses que lutam ou lutaram contra o câncer de mama e são um exemplo de que é possível encarar a doença de cabeça erguida, com otimismo e, na medida do possível, com bom humor. Elas foram modelos da divulgação da campanha aqui em Bauru e suas histórias se tornaram uma exposição fotográfica. Uma trajetória que me inspira e me orgulha, principalmente por poder levar esses depoimentos ao maior número de pessoas possível.

Espero que você concorde comigo. A reportagem está no vídeo abaixo.

Sobre 30 anos e James Dean

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Numa noite de insônia adolescente, descobri James Dean. Qualquer jovem que supere o preconceito de assistir a um filme dos anos 50, vai concordar que “Juventude Transviada” é um retrato bem catártico dos conflitos e da rebeldia que nos dominam nesta fase da vida. Pouco depois dessa noite, também soube do lema que atribuíam ao ator e à sua vida curta e trágica: “Viva rápido, morra jovem e seja um cadáver atraente”. Mórbido, eu sei, mas naquela época parecia fazer todo o sentido!

Do alto daquela petulância dos 16 anos, parecia uma boa ideia. Eu não entendia por que alguém queria viver tanto e ver todo o frescor da juventude desaparecer. Pra que lidar com rugas e cremes anti-idade? Por que esperar a aposentaria para só então viver a vida? Eu tinha uma meta macabra: viver 39 anos e partir antes de me tornar quarentão. Por mais que a expectativa de vida do brasileiro já fosse o dobro disso, eu não via benefício em chegar à velhice, dar de cara com doenças, encarar o enfraquecimento do próprio corpo e com as limitações da idade. Era melhor simplesmente poupar sofrimento, sem drama e sem desgaste.

Hoje eu entro na casa dos 30. Por essa previsão, só teria mais 9 anos pra viver uma vida inteira. Mas, felizmente, o tempo muda nosso juízo e leva com ele a petulância e a vaidade doentias da adolescência. E o mais importante: restaura a admiração por quem é mais velho. É fácil identificar: quando voltamos a olhar nossos pais sem a sensação de que eles estão “matando a sua vibe”, é sinal de que estamos livre e de que tudo vai melhorar. E eu já estou assim há uma década!

Claro, algumas coisas não mudam. Continuo achando o James Dean bonito e ainda tenho certeza de que não há nada mais revelador do que jeans e camiseta branca. Como 90% das pessoas, ainda tenho medo de ficar sozinho. Só que não desejo mais uma vida curta. Quero que ela seja intensa, com tempo suficiente para realizar planos e dar a volta ao mundo. Ou rodar do Oiapoque ao Chuí. Até conhecer de Mirante do Paranapanema a Santos está valendo.

Hoje, no meu vocabulário, “Viva rápido, morra jovem e seja um cadáver atraente” deu lugar a “Faça Valer a Pena”. E desde que passei a ver o mundo assim, não me arrependi mais dos erros e nem dos acertos.

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Sobre política e humanidade

Quando criança, aprendi a tocar violão porque queria fazer parte do grupo que cantava na igreja. Eles transformavam o amor ao próximo em música e eu queria fazer parte dessa mensagem, desse jeito emotivo e alegre de tocar o coração das pessoas. Porém, um dia eu percebi que nem tudo era tão maravilhoso. O amor ao próximo não valia pra mim por um simples motivo: eu só merecia ser amado se mudasse quem sou. Acabei me afastando da Igreja e a vida seguiu. Muito tempo depois, refiz as pazes com Deus. Não por fraqueza, mas porque percebi que a culpa não era Dele; era dos homens. Foram eles quem transformaram a fé em algo pouco misericordioso e absurdamente condicional.

Ontem, no debate dos presidenciáveis da Rede Record, foi a vez de me desiludir com a política. Não que ela ainda gozasse de prestígio, já que é preciso estômago para enfrentar o tsunami de escândalos e conchavos. Então por que a desilusão? Porque cansei de ver gays e lésbicas serem usados como palanque de campanha. E isso vale para todos que estavam ali.

Vale para a candidata que se diz defensora do público LGBT, mas se acovarda na discussão que ela mesma propõe. Que não se indigna publicamente perante uma demonstração de ódio contra uma minoria. Que não responde à agressão sem o auxílio de uma equipe de campanha. Que se omite em uma discussão que ela mesma propôs. Que prefere terminar o debate enaltecendo seu partido em vez de repudiar a visão de mundo limitada de seu adversário. E que depois vem ao twitter manifestar sua revolta, mas que se calou quando mais precisavam dela.

Vale para o candidato que combate gays e lésbicas como uma invasão de baratas. Que defende um conceito de família apenas com fins reprodutivos, ignorando casais estéreis, homoafetivos e crianças adotadas. Que se coloca como defensor da moral e dos bons costumes, mas acha de bom tom fazer comentários jocosos sobre “aparelho excretor” em rede nacional. Que recomenda tratamento psiquiátrico a quem só quer igualdade, respeito e amor. Que usa um meio de comunicação de massa para estimular o ódio em um país que enfrenta um genocídio.

Vale também para todos os candidatos que se calaram nesse cenário de guerra para não perder o valioso voto dos conservadores e religiosos. Que abriram mão da espontaneidade para seguir o roteiro robótico do marketing de campanha. Que se esconderam por trás das regras rígidas de um debate para não exteriorizar consternação. Que preferem usar o tempo que lhes resta para fazer piadas e virar meme na internet. Que se abstêm de qualquer demonstração de humanidade e se calam perante o absurdo da situação.

E vale também para a plateia que, em vez de se revoltar, ri. Que não vaia. Que incentiva com gargalhadas a incitação ao conflito direto entre uma maioria dominante e uma minoria dominada.

O que se viu ontem é a prova de que, no Brasil, o poder é uma farsa sem a menor graça. E pior: sem o menor respeito à vida e ao amor. Um teatro no qual o ser humano está longe de ser o tema mais importante. Espero que, um dia, eu seja capaz de refazer as pazes com a política, assim como fiz com Deus. Mas, por enquanto, não dá.

Shakespeare aos 30

Quando eu era criança, sempre fui cobrado na escola para ser o melhor. Lembro claramente do dia, na quinta série, em que o professor de português disse: “Seja sempre o melhor que você puder ser”. Como estímulo, ele fez a chamada associando nosso nome a homônimos famosos. Daniela virou Daniela Mercury. André se tornou o cineasta André Bazin. E eu, me transformei em William Shakespeare, apenas o melhor dramaturgo da história. Era uma grande brincadeira, claro, mas isso me acompanhou a vida toda. Várias vezes, quando quis desistir de algo, me peguei pensando: “Shakespeare não desistiu de ‘Romeu & Julieta'”. Ou “Não posso decepcionar William Shakespeare”. E assim a vida seguiu, sem arregar. Passei pelo colegial, pela faculdade, pelo primeiro emprego e cheguei onde estou hoje.

Kenneth Branagh in Hamlet

Daqui a pouco mais de um mês, faço 30 anos. Estou naquela fase de reavaliar a vida, de colocar na balança tudo que fiz e tudo que ainda quero fazer. De comparar se o que tenho hoje é o que eu projetava no escuro do meu quarto, ouvindo Roxette e sonhando com o futuro. E o principal: de colocar em perspectiva o que ainda preciso fazer. Mais do que uma crise, é um período de autoconhecimento em que os sonhos são tão importantes quanto aceitar as limitações. Algo que a maturidade – e olha não tenho tanto! – ensina pra gente.

Olhando para trás, queria ter sido menos competitivo e individualista nessas três décadas. Queria ter viajado mais, amado mais e visto o sol se por. Queria ter molhado mais vezes os pés no mar e andando mais de avião. Falta escrever o livro, plantar a árvore e fazer o filho. E ter um cachorro e um gato pra me fazer companhia na varanda. Aliás, falta a própria varanda!

O que me deixa feliz é que faltam as tais coisas intangíveis, que o dinheiro não compra e o capitalismo não destrói. Claro que ter grana facilita a vida, mas, sozinha, ela não preenche as lacunas. Por isso, o que eu quero nos próximos 30 anos é viver com o que me dá prazer. Eu sei, é uma meta ambiciosa, mas eu tenho certeza de que Shakespeare vai estar por perto mais uma vez.

O que é vaidade pra você?

Você já deve ter esbarrado com artigos ou reportagens sobre como a Geração Y é movida a elogios. Se olharmos o comportamento nas redes sociais, esse perfil parece real: muita gente, muita mesmo, vive à base do “curtir” do facebook ou do “like” do instagram. Até o twitter mudou o “favoritar” para “curtir”, pois parece mais importante a aprovação dos seguidores do que ter um tweet salvo para consulta futura. Deve ser por isso que eu fiquei tão espantado com a cantora e compositora australiana Sia. Dona de uma voz potente e autora de um hit atualmente Top 10 da Billboard, ela tem escondido o rosto e não aparecido nas apresentações de “Chandelier“. A explicação? Ao invés de reconhecimento, ela quer paz.

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Para comprovar como essa “invisibilidade” da Sia é chocante, é só ver este vídeo. Foi uma das primeiras vezes em que a cantora soltou a voz na TV para divulgar “Chandelier” e a principal atração da performance não é ela, mas sim uma talentosíssima menina bailarina. E o mais: Sia aparece o tempo todo de costas e não mostra o rosto nem para agradecer os aplausos no final! Num mundo em que tanto artista mediano busca louros a qualquer custo, é estarrecedor perceber que alguém com essa voz e essa capacidade de emocionar não mostre o rosto nem na capa do CD e exija no contrato com a gravadora que seja liberada de fazer turnê e de dar entrevistas para promover o disco.

Acho louvável alguém pensar assim. É a prova de que é possível viver sem vaidade e que fama não tem nada a ver com talento ou reconhecimento. Mas, ao mesmo tempo, contraditoriamente, me incomoda imaginar que seja a vitória da visão de que humildade é abrir mão do nosso talento. Sabe quando você recebe um elogio e, em vez de agradecer, você menospreza uma qualidade que realmente tem? Ou, como a Rosana Hermann disse dia desses no twitter, quase pedir desculpas por um talento, como se fosse crime ser bom em algo? Não quero dizer que alguém precise ter fãs, dar autógrafos ou se sentir único e insubstituível. Meu único medo é de que atitudes como a da Sia fortaleçam uma cultura na qual o talentoso precisa se esconder, enquanto o oportunista não tem receio de receber aplausos.

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A fórmula do amor

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O que faz a gente se interessar por alguém? É o jeito de sorrir, a forma como te faz companhia ou a lucidez quando você precisa de um conselho? No meu caso, eu sei que é tudo isso ao mesmo tempo. Bom humor e companheirismo estão sempre na lista de prioridades, além de uma boa dose de reciprocidade, que não faz mal a ninguém. Sabe aquela satisfação de fazer bem ao outro e perceber que você também melhora os minutos em que passam juntos, mesmo que seja só conversando pelo whatsapp? Pois é, é esse sentimento.

E como você chega à certeza de que essa pessoa é aquela que você deseja até o fim dos dias? Uma boa sintonia de planos de vida deve ajudar na conclusão. Perceber que os dois estão caminhando pro mesmo lado, que têm metas em comum, é meio caminho para unir forças e buscar a felicidade juntos. E leia “felicidade” do jeito que você quiser: seja construindo uma família que você sempre quis, buscando estabilidade financeira ou se permitindo viver com muito menos e priorizando o essencial. O que parece ser batata é a vontade de criar algo, ainda que seja apenas um relacionamento duradouro.

E como encarar que alguns carnavais têm fim, que não dá pra seguir de mãos dadas quando uma bifurcação divide as forças para lados apostos ou uma pedra bloqueia a estrada? Como desapegar de alguém que até ontem dormia ao seu lado, te dizia “boa noite” quando a lua estava alta e ainda era o primeiro a desejar “bom dia” na manhã seguinte? Como se despedir de alguém com quem você criou códigos, apelidos, piadas internas e segredos? Pode ser algo que venha com o tempo ou quando outra peça de xadrez entra no tabuleiro. Ou, simplesmente, dedicando atenção a você mesmo, mergulhando no trabalho, tirando o atraso dos filmes e séries que você não viu. Qualquer coisa que simplesmente afaste as lembranças até o coração cicatrizar. Mas, até lá, dói.

Não é fácil, nenhuma das etapas. Vai ter lágrimas (felizes ou não), gritos (de raiva ou não) e ressacas (de comemoração ou não). Mas não é impossível. Não existe uma fórmula ou cartilha, o que torna a descoberta sempre um mergulho no escuro. Como aquele livro que você lê pela primeira vez e não sabe o que lhe espera na página seguinte. Só tem um jeito de saber: tentando. Só assim se descobre a América ou se cai no abismo quando o mar termina.

A rede social do vizinho é sempre mais verde?

Diz o manual do bom escritor e do bom jornalista que a gente deve evitar a qualquer custo usar frases feitas em um texto. Começá-lo, então, com um ditado popular é motivo pra ser jogado na fogueira sem direito a defesa. Mas atualmente um clichê tem martelado a minha vida: será que a grama do vizinho é mesmo sempre mais verde?

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Lembro que, quando criança, a gente sempre ficava de olho no que o outro tinha. O tênis que acendia o calcanhar. O skate do menino da rua de trás. O Banco Imobiliário do melhor amigo. Ainda mais numa cidade de 20 mil habitantes, com todo mundo sabendo da vida alheia, fofocar sobre o carro novo do vizinho ou a roupa “cheguei” da madame na missa fazia parte do dia a dia. Minha família nunca foi rica, mas minha mãe se atentava na hora de montar minha lancheira para não atrair o olhar das outras crianças com o yakult que eu tomaria no recreio.

Se já era comum, o que mudou então? Mudou que agora, com acesso integral à internet, as redes sociais desnudaram a vida de pessoas distantes ou desconhecidas que fabricam uma realidade digna de sonho. São fotos em praias maravilhosas, tweets sempre alegres e piadistas, presenças VIP em shows que você adoraria estar… É a eterna projeção de como seria a nossa vida se estivéssemos naquela situação.

Porém, do mesmo que jeito que a gente não conhecia o que se passava atrás dos portões da minha infância, hoje nós ignoramos o mundo que se esconde fora da web. Ninguém vê que você tweeta uma piada pra afastar a tristeza que escorre pelos olhos. Nem que comenta a novela pelo facebook pra afastar a solidão. Muito menos imagina as inseguranças, medos e fraquezas escondidas nas DMs trocadas entre um meme e outro do debate presidencial. Se a internet nos aproximou de quem nos faz bem, por outro lado criou personagens unilaterais, sempre felizes, engraçados e realizados.

Por que eu digo tudo isso? Porque um amigo que a internet me trouxe afirmou um dia desses que nunca me imaginaria sozinho ou precisando de um abraço. Ou seja, se a sua vida é vista com esse filtro cor de rosa, mesmo com todas as imperfeições, segredos e pecados, isso mostra que todo mundo que você idolatra deve passar pelos mesmos problemas que você.

‘Boogie Oogie’ vai ressuscitar a era disco?

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‘Boogie Oogie’, a nova novela das seis da Globo, só entra no ar no dia 04 de agosto, mas o twitter já está em alvoroço. Basta a chamada da trama passar na TV pra notar que a expectativa sobre a novela é grande. O principal motivo? A trilha sonora. Inspirada e com músicas empolgantes da era da discoteca, a coletânea vai mergulhar de cabeça na riqueza musical e na popularidade dos anos 70 para criar uma verdadeira máquina do tempo às 18h.

Depois das boas surpresas musicais de “O Rebu”, parece que a Globo decidiu investir cada vez mais nos clássicos pop do passado. Ainda é cedo para dizer por que a maior emissora do país tomou a decisão, mas uma coisa é certa: com essas trilhas, deve ser bem mais fácil emplacar uma novela nas feiras do mercado internacional.

Ainda tenho alguns receios sobre “Boogie Oogie”. Por mais que a era disco tenha características “universais”, acho bastante arriscado um autor estrangeiro escrever uma novela histórica. Mesmo assessorado por colaboradores, pesquisadores e uma equipe de produção competente, o português Rui Vilhena pode cair na armadilha de criar uma disco fever com a cara portuguesa, já que não conhece a fundo as particularidades do período no Brasil. Ou, então, restringir os anos 70 a mero pano de fundo para a história, ao invés usá-los como um personagem importante da trama. Algo que “Dancin’ Days” fez tão bem e cuja reexibição atualmente no Viva só aumenta o peso das comparações. De qualquer forma, é esperar a estreia para ver.

Abaixo, criei uma playlist com as músicas que os internautas já conseguiram identificar nas chamadas da programação. Vou tentar mantê-la atualizada ao longo dos capítulos.